Alice, entre voz e o oceano…

Bambina mia,

Sabe, bambina, a primeira vez que li Alice aconteceu em um sem fôlego. As palavras me dominaram e foi como se bebesse de um gole só todo café da xícara e depois, vem a sensação de que preciso levantar, ir até a máquina preparar mais uma xícara e daí, então, beber pausadamente. Foi assim com Alice. Mas eu não estava só e preciso te falar de Ana.

Ana, é o meu mundo além mar. Falamos de poesia, de trabalhos, de sonhos, de amores, de desejos e de livros. Alice surgiu em nossas conversas e resolvi ler Alice com Ana, através de um aplicativo de vídeo de uma rede sociais.

Em seu horário de almoço ou nas horas vagas, contornando o fuso horário, com Alice em mãos a gente falava de coisas sobre sua escrita. Da maneira que você envolve a gente em uma história e Ana tornou -se minha companhia diária das 10:00 às 10:30 na missão de desvendar um livro para alguém que também é apaixonada por literatura.

Dessa forma, bambina, Alice chegou mais densa para mim e desenhávamos juntas as Alices que a gente conhece nos quatro cantos de lugares diferentes além mar ou aqui. Já não era uma história minha, com a xícara vazia de café… Alice se transformou nos prazeres das conversas entre o bule na mesa e as xícaras com seus pires com corações talhados, além do bolo de fubá, de laranja e a receita trocada no fim de cada capítulo.

Chegamos ao fim do livro e a experiência da leitura, feita em companhia tão gentil, levei seu livro para o outro lado do oceano através de minha voz. A sensação é quase de orfandade. O ritual era algo preparado para através de uma tela de um celular ou notebook o saber/sabor do livro entendido, sentido e compartilhado.

Queria que soubesse disso em forma de carta, que é a forma que consigo dizer para além das palavras que sua escrita me envolve.

Grazie!
PS: Ah, e começamos Lua de Papel!

Mariana Gouveia
Projeto Artesanal Alice, uma voz nas pedras de Lunna Guedes.
Solicite o seu exemplar através do WhatsApp 11 9-91341745

Alice – Uma voz nas pedras

“Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho”.
António Ramos Rosa

 

Comecei a enveredar pela história de Alice logo de manhã. O sol ardia fora do horário de verão e preparei meu café e omelete e me despi diante da história.

Alice foi se desenrolando diante de meus olhos e me lembrei de todas as Alices que cruzaram/cruzam meus caminhos diariamente. À quantas estendi a mão? Quantas eu direcionei portas abertas e aconcheguei em abraços? Quis eu ser aconchego de muitas e quantas não se apresentaram ali com mãos estendidas querendo ou negando o abraço.

As horas foram passando e a escrita apaixonante de Lunna Guedes foi tomando conta de mim e olha só que luxo pude viver. Poucos leitores tem a escritora ao alcance das mãos quando a escrita fica densa e invade sua alma/pele ou seria o contrário e confesso que se tratando de Lunna nunca sei. Não parei mais até que o sol se escondeu e reagi ao sentimento que Alice encantou em mim. Não foi a escrita de Lunna que me tocou – isso, ela faz sempre – foi a história tão próxima e tão real diante da TV, das notícias e dos gritos que ouço para além dos muros na rua de cima. Não foram as histórias se misturando e todas as mulheres que vivem uma história igual ou parecida se transformando em Alices para mim… Foi a história de Lunna ganhando dimensão de voz diante de sua escrita.

Lunna me iluminou em sua Lua de Papel e me verteu de cores em Vermelho por Dentro. Nos Meus Naufrágios delirei… mas Alice, Uma Voz nas Pedras me deixou sem cor e cheguei a me perguntar: o que você está fazendo aí, que não faz nada para mudar as histórias que você conhece?
Captei os sentimentos e não me sai da cabeça a mulher que vive uma relação abusiva e ainda se acha culpada de tudo. Alguém aí se identifica?

Lunna nos leva por caminhos que são tão conhecidos, tão reais que chega a doer e emocionar. Confesso que estou sem ar… Eu, que sempre estive de mãos abertas e braços prontos para abraços e acolhidas me vejo parada, de olho no céu, buscando palavras para aconchego para uma Alice que mora ali, na rua de cima e lá vou eu…

E fui lá, de alma lavada e de coração armado para carregá-la para além dos muros que a prende. De pedra na mão direcionei um caminho e ela dorme na cama do quarto ao lado e tenho certeza de que saberá amanhã escolher outro caminho.

Mariana Gouveia
Projeto Artesanal Alice, uma voz nas pedras de Lunna Guedes.
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