Do dia em que ela eclipsou

Os cheiros do céu cuidam da semente na terra. A racionalidade do sol e a emoção da lua influi na paciência da espera. Era ali, a estação da alma. Dentro dela o cheiro dos cravos chineses e a borboleta encantando o mar enquanto o rio se desenha além dos muros. Dentro dela, eclipse. 

Mariana Gouveia
Ser de flor
Texto publicado no livro Sete Luas
Scenarium Plural Editora

Dos dias em que amou.

Morria de medo de amar. Amou.
Cantava a sorte de um amor tranquilo na vitrola vintage que ganhou do pai e os discos de vinis trazia o fado – sempre via dentro do olhar que ela nunca viu – que em noite de lua embalava o sonho de eclipsar a vontade do beijo dela. Não era a dança sob a lua no quintal, nem a maresia que invadia o quintal dela… Não era nada disso que alimentava as noites de luar prateado. Não era o mar e sua rota torta, inquilino dentro do peito que fazia ela viver…  era a vida feita e refeita dentro do amor que o nome dela trazia poeira estelar quando cantado. Era essa espera no cais. Outra vez.

Mariana Gouveia
Ser de Flor
Texto publicado no livro Sete Luas
Scenarium Livros Artesanais

Meu Scenarium – Sete Luas

Sete Luas foi aquele apaixonar diário desde o convite vindo por email e a palavra Cais rondou meus dias por um bom tempo.
Quando bati os olhos na capa – ainda sendo dúvidas da editora -Lunna – horas antes do lançamento – rendi -me! 
O amarelo foi como se o dourado da lua cheia invadisse as janelas do edifício e ali, todas as fases e sensações dos escritos me invadisse. Foi quase um uivo de lua.

Aconteceu uma pausa entre o encanto e a posse. O carteiro de todo dia não cabia em risos e repetiu a frase quase que costumeira quando o pacote ganhava meu abraço: – acho que a sua lua chegou!

Sufoquei – me com as luas incompletas e fiquei a beira do cais esperando que a poesia me guiasse. Era possível repetir a palavra encanto nas fases da lua.

Sete Luas  é esse frescor  e guardo como relicário e nas noites sem lua vou lá na estante e cheiro a maresia dentro dos poemas.
Enquanto saboreio as palavras uma lua em vírgula brinca no céu e me lembra que se eu apontar o dedo para as estrelas, nasce uma verruga bem na ponta do nariz – porque aqui, a lua é a parte principal…

No meu Scenarium desse desafio de fevereiro, Sete Luas e  No cais outra vez me leva pelos ancoradouros de minha infância como se sempre estivesse ali, faminta de amor e possuída de saudades. E ainda nem sabia o que era amor.

o cais a seus pés
e o mar em seu estado bruto
– de onda

Quase fases de luas cheias o tempo todo.

Sabe aquelas fases em que você sempre viveu e que é quase além das fases a lua que você conhece? A lua oscilando na bacia cheia de água no quintal e o mar quase molhando meus pés num cenário de cais que criei na memória.
Sete Luas é esse cheiro de maresia em mim. É essa espera de alguém que não vem – ou vem. O grito preso na garganta e quando solta consegue voar pelos plexos lunares.
Foi no meu cais, por detrás da cortina que me contive na voz e nas palavras. Aluei!

As luas em suas intensidades me deixa avuada de lua… e avuada era a palavra que me definia para minha mãe:
– Esse jeito de lua que você tem, menina… Parece avuada! Essa letra feita de satélite nas pontas do dedo…
Por falar em lua…

e essa Lua de Papel que sempre me domina?
Posso ser eu, assim?

Mariana Gouveia
Sete Luas – Scenarium Livros Artesanais
Desafios de fevereiro

Sete Luas

Fui desafiada pela minha editora Scenarium Livros Artesanais a fazer alguns posts sugeridos por ela, no mês de fevereiro e claro que no primeiro post escolhi Sete Luas.

Sete Luas é um livro coletivo com sete mulheres a escrever sob o signo da lua… nova, crescente, cheia, minguante. Meu tema foi No cais outra vez.

Para mim, o prazer foi imensurável. Cada dia, coube dentro de mim, um céu, uma lua, o mar e suas nuances todas. No cais outra vez me levou para ares marítimos e dias lunares.

Mariana Gouveia
Desafios de fevereiro
Scenarium Livros Artesanais

7 – Minha estante de livros.

Qual o melhor exemplar em sua estante?

Mais uma maratona chega ao fim e acho que consegui passar um pouco de minha estante para vocês, mas talvez, o mais difícil é escolher o melhor exemplar de minha estante.

De tantos exemplares, claro que alguns se tornaram meus xodós, tipo aqueles que não empresto, não dou e ficam em um lugar especial em minha estante. Claro que estou falando de Lua de Papel, uma trilogia de Lunna Guedes! E como diria minha escritora/editora favorita – eu sou suspeita – mas como também sou leitora, confesso que eles ficam ali, ao lado do Charlie Brown, os três livros, meus Luas – Hors concurs e tenho dito!

Estou na segunda leitura de Lua de Papel. Confesso que é uma leitura nova e surpreendente. Comecei a leitura porque queria muito que minha Ana, em Portugal conhecesse a história e comecei a ler o livro para ela via vídeo chamada. Lia um capítulo por dia aproveitávamos nossa hora de almoço e tudo teve uma nova visão do livro e até da própria história. Já estamos no livro II e confesso que a forma de ver alguns personagens mudaram.

Mas, como disse, Lua de Papel é Hors Concour e então, qual seria meu exemplar favorito?

Sete Luas é aquela delícia de escrever, tocar, cheirar, ler e se orgulhar e dizer: mas eu fiz parte dessa lindeza?!!

Sim, eu fiz e se você quiser saber mais, aqui tem minhas impressões sobre Sete Luas e nas tags Sete Luas há alguns dos meus textos.

Espero que vocês tenham gostado dessa maratona. Agradeço as curtidas, as participações e comentários, mas digam-me: Qual o melhor exemplar em sua estante?

Mariana Gouveia
Esse post faz parte da maratona de maio e participam
 Alê Helga | Darlene Regina | Lunna Guedes | Roseli Pedroso

b.e.d.a – Tenho um dragão de estimação.

A fresta da janela dava para o céu.
Dentro da noite, quando a lua acontecia
no ponto sul do quintal,
… invadia o meu quarto.
E alguns fenômenos estranhos aconteciam
no espelho do guarda-roupa.
O dragão das histórias ganhava vida.
E eu dormia abraçada com a lua.

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora
*imagem: Jade Danielle Smith

*b.e.d.a — blog every day april — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.


b.e.d.a – Rituais

Quando pequena, aprendi a fazer certos rituais.
Cortar os cabelos para crescerem mais rápido.
E, nas noites serenas de sextas…
Acender a fogueira para revogar a graça de tudo,
e podia ser colhido.
Unir agulha,
linha e pano branco para cerzir as quebraduras

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora
*imagem: Ahndraya Parlato

*b.e.d.a — blog every day april — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.

b.e.d.a – Há asas espalhadas…

em tudo que é pouso,
havia um vento feito de dança.
O rádio tocava uma canção antiga.
Os meninos ainda na rua e o barulho da bola no muro da frente.
Na ponta do telhado, a lua segue seu destino. quase indiferente à saudade que arrasta o pensamento e o coração.

Mariana Gouveia
Projeto Sete Luas – No cais Outra vez
Scenarium plural Editora

*b.e.d.a — blog every day april — um desafio que surgiu para agitar os dias de abril e agosto nos blogues e comemorar o Blog Day.