1 — Minha estante de livros.

Escolha um livro para cada uma das iniciais do seu nome.

Mais uma vez, a minha editora Lunna Guedes, me envolve em desafios e cá estou a desnudar minha estante de livros. Confesso que, embora seja amante de livros e desde criança leio bastante – minha média de leitura anual são de 58/59 livros – eu nunca tive uma estante cheia de livros. Aliás, a minha estante era mais para a coleção de corujas e elefantes e as miniaturas, por falta mesmo de dinheiro para comprar os livros que adoraria ler.

Durante mais de dez anos os livros que li vieram de doações, trocas em sebos e principalmente, através da delicadeza de uma amiga – que tinha uma estante igual a que vejo nas novelas – e me permitia escolher quais livros queria ler durante o mês e lá ia eu, com os livros em sacolas, como se fossem tesouros e eu os devorava com fome de viver.

Quando a Scenarium surgiu em minha vida, a avidez pelas palavras vieram com o desejo de ler autores que eu conhecia – alguns, claro! – e admirava e minha estante se encheu de livros com alma, poesia e amor. Minha estante ganhou ares de aconchego e arte, porque os livros são feitos um a um, como unicidade e singularidade dentro da palavra Plural e assim, meu acervo tem a estante que sempre sonhei:

Quando o “desafio” surgiu no email, lá veio o desespero no tema: Minha estante de livros, para o título do dia: Escolha um livro para cada uma das iniciais do seu nome.
E lá vou eu gritar ‘socorrooo’ e recorrer à minha estante… Letra M, de Mariana… e para minha alegria a magia me colocou em mãos Meus Naufrágios, de Lunna Guedes:

Me lembro das manhãs de sol de junho… e de meus olhos caídos de sono. Meu corpo embriagado-embrulhado numa manta vermelha e meus passos a tropeçar pelos caminhos, da casa.
Descalça… avançava pelos cômodos. Senti o chão de madeira ranger sob meus pés…”

Ler as anotações de Lunna é uma viagem gostosa, e naufragar junto com ela é um mergulho na essência da bambina e um absorver de poesia… mas, como diz a própria autora, eu sou suspeita, porque nas seguintes iniciais, L de Lourdes, e S de Silva tenho Lua de Papel (os três livros) – que amo, reamo, amo de novo e devoro e estou na terceira leitura – e Septum – que me tira o fôlego e o ar – é só suspiro e se você ficou interessado, basta clicar no link e pedir um só para chamar de seu…

“Quantos arrepios simples toque é capaz de causar?”
“… resolvi levar meu velho guarda-chuva vermelho para um passeio para um passeio pelos mesmos lugares de sempre, guiada por esse mapa particular que trago na solado meu sapato”

Meu drama começou quando o G de Gouveia se viu órfão na minha estante. Entre mais de 87 livros da Scenarium Plural e 48 outros livros nenhum cabia dentro da letra G… até que, fora de todo contexto e ‘abandonado’ em um canto do guarda-roupas do meu filho surgiu um nome que havia ficado fora da estante: Guia politicamente incorreto da filosofia – ensaio de ironia – que confesso, não li ainda, mas vi as anotações que meu filho fez durante sua leitura e é tão atual, que ri ao ler.

“a democracia sempre dá vitória aos idiotas porque são a massa…”

Então, é isso! Nessa semana, vocês irão acompanhar minha estante e meu jeito livr(e)o de ser.
E você? Conta para mim nos comentários, como é sua estante e nela, quais seriam os livros com as iniciais de seu nome?
Abraços,

Mariana Gouveia
Esse post faz parte da maratona de maio e participam
 Alê Helga | Darlene Regina | Lunna Guedes | Roseli Pedroso


Septum

img_20161126_185340423

“Que eu saiba pisar no instante seguinte
com pés de encantamento”.

Van Luchiari

  Isso aqui é um pouco de tudo!
Fios de um tecido. Retalhos de uma colcha. Pequenos cenários compondo uma paisagem.
Um punhado de fotografias espalhadas sobre a mesa, à espera de um álbum. Uma narrativa (viva) inacabada porque não acredito em coisas definitivas.
Tudo na vida é esse movimento… portanto não podem acreditar na imobilidade das linhas a seguir… que são tudo e nada… muitas coisas… menos um diário!
– em que momento da vida, de fato…se deve contar como sendo o ponto de partida da Vida? A data de nascimento que o documento aponta… serve como marco inicial apenas para o mundo dos homens.
Mas e para nós… “humanos mutantes” que somos? Qual seria o nosso “marco zero”?
Tudo que eu sei sobre a ocasião do meu nascimento é coisa alheia. História escrita e reescrita pelas figuras que se fizeram presentes à ocasião… mas em minha anatomia não existe uma única gota de consciência acerca de todos estes fatos… narrados com empolgação e emoção intensas… nos mais diversos momentos de minha existência.
– sempre me questionei ao longos dos anos quando é que EU realmente aconteci para o mundo?
A resposta, contudo, permanece em suspenso!

Lunna Guedes
Diário das quatro estações – Septum

Havia um burburinho entre as folhas do livro e as mãos dela. Mas o burburinho era meu, enquanto ela deslizava tão dentro das histórias e falava com o aparelho que tocava uma canção…
De repente, a mão desenhava letras e diante do mistério que se seguia aos meus olhos curiosos – ela criava parte do livro perante aos meus olhos curiosos.
E assim, como por encanto, eu vi a mágica ser criada.
Uma aura vinha da janela e emoldurava o cabelo dela e por alguns minutos dourou o quase prateado… ela nem percebeu, mas para mim, ali, ela acontecia para meu mundo. Uma figura que a vida colocou em meu caminho e desde então ela se recria em mim.
Para mim, ela renasce quando chove, quando trovoa, quando a tempestade acontece nos meus quintais…
Septum me mostra ela desnuda em palavras e encantos. Septum me devolve a bambina que de alguma forma se entranha em mim em carinhos que não sei explicar.
E aqui você pode adquirir Septum e se encantar também.

Mariana Gouveia

Septum – Outono

13312790_860606857384951_7738890751582246227_n

” A esperança é uma lanterna dependurada nas costas
que apenas ilumina o caminho já percorrido “

                                                                                    Confúcio

É madrugada e eu me sinto só…completamente nua. E me vejo obrigada a vagar pelos espaços vazios deste lugar que sou. Esgotei as xícaras de chá. Li todos os livros que encontrei na prateleira. Assisti todos os filmes antigos que compõem minha lista de favoritos… e percebi nesta quarta hora… que não me resta outra coisa – apenas esta narrativa vazia… ou seria de inundação?
… alguma coisa transbordou aqui dentro e não deu tempo de fechar as comportas. Sinto-me a inundada por essa necessidade conhecida, tão antiga quanto eu.
Eu sei o que quero e preciso… mas ainda me recuso a este testamento em vida, porque escrever – para mim – é um ato de morte.
Você escolhe as melhores palavras, forma as frases com todo cuidado, tentando a sonhada perfeição.
Escolhe o que fica e o que parte. E no fim… não consegue um texto que agrade aos olhos – primeiro – e ao cuore depois…
E o que sobra disso tudo é a decepção que te encara de frente. E você não encara de volta. Recua. Amassa a folha entre os dedos e sai para andar entre os cômodos da casa – suportando em teus flancos o sabor amargo do fracasso.
A escrita exige doação, entrega, rendição… não basta o imaginário. Ela quer também a realidade e todos os desconfortos. Recusa o futuro, como se fosse um insulto-desaforo-afronta. Ela quer apenas o teu passado-presente. O teu melhor… e você sabe que é impossível se deitar sobre o papel sem render-se de corpo e alma esta simbiose indecente entre vida e morte, morte e vida.
As palavras são pontes…que nos ligam ao abismo que somos. Escrever é percorrer esse caminho frágil e perigoso… apenas de ida, nunca de volta.

 

Mas sem um mapa em mãos,
como saber o destino?

 Lunna Guedes
Diário das quatro estações – Septum – outono
Pág: 64
*imagem: Tumblr

A bússola me mostra a direção ao norte/sul/leste/oeste e daí, volto ao mesmo ponto de encantamento marcado no mapa. Mas que mapa? Septum nos faz perder a direção entre a vontade e o desejo de ler e embarcar dentro de cada estação.
Septum é a âncora que dá segurança e ao mesmo tempo, o vento que sopra e arrasta.
Não é magia…é bruxaria.
Septum te direciona e te faz perder…
e assim, te convido a se deixar levar…
Você pode adquirir aqui o mapa que te levará pelas palavras de Lunna Guedes.

Septum – Primavera

IMG_20161103_202829.jpg

…“ para aquele imaginário
em ebulição que desarruma o
‘concreto’…

Mais um dia se encerra em meus olhos…conta-se em algum lugar – como se fossem moedas – um punhado de minutos e um bando de euforias. A noite acontece ao mesmo tempo que a palma de uma mão estendida no ar cresce aos meus olhos. Admiro entre as linhas meia dúzia de moedas: douradas e prateadas.
Não se pode comprar o tempo, mas muitos tentam suborná-lo.
Era apenas um menino que me fez passar a limpo toda a minha vida anterior…revisei minhas notas, que são muitas, porque sempre deixo acumular as coisas, mas em algum momento – dentro da noite – eu me dedico a passar a limpo esses rascunhos.
É quando eu reescrevo páginas inteiras…reorganizo os espaços mentais e consequentemente tropeço em lembranças…
Sempre que me sento para escrever eu reviro minha pele, meu passado… sinto aquela velha monotonia que descobri no fundo de mim nos dias de infância.
O olhar enrosca-se facilmente em certos cenários: o balanço vazio, as mesmas mesas na biblioteca, a casa vazia, a rua silenciosa no começo da noite, o tabuleiro de xadrez pintado nas mesas da praça…
Eu sempre tropecei em ausências, solitudines…
Sempre encontrei a palavra nos meus cantos secretos e favoritos. Às vezes, sinto como se meus passos – pelas ruas da cidade – me levassem de volta sempre ao mesmo cenário…me aproximo da mesa, das peças e atravesso a ilusão que a vida molda, para que o diálogo não seja um poço onde se atira moedas para si mesmo. Avanço o peão…concedo o próximo movimento…e me coloco em estado de espera!

Notas de rodapé – gosto das madrugadas frias, com cheiro de chá quente na xícara… vinho na taça – um gole ou dois e os sabores se precipitam – gosto de um som a dizer suas notas e a pilha de livros a espiar-me, como se dissesse: leia- me. Gosto de ver os envelopes vazios… com suas cores a dizerem possíveis destinos.
Meus mapas são outros…eu me movo através de elementos particulares. Vou de uma esquina a outra em busca de uma mesa de canto do mundo, da vida e do corpo. Cheque mate!

Lunna Guedes
Diário das quatro estações – Septum – primavera
Pág: 77

Quando Septum se abriu aos meus olhos eu mergulhei dentro do imaginário de Lunna Guedes. Não fosse pela delícia de vasculhar as palavras que tão bem me tocam seria pela jogada de mestre de Lunna de nos prender ao seu mundo. As histórias nos envolvem a ponto de acharmos que a história é nossa e que o personagem pode ser eu, você ou alguém conhecido… Septum traz a magia do sete. Do mês da primavera, do idioma diferenciado em explorar nosso pensamento na melhor forma de desvendar os mistérios onde os brancos são preenchidos entre o encanto e os gestos.
Septum é esse gesto pronto de entrega.
Lunna nos presenteia e oferece dentro das estações a sensação plena delas. Septum é o próprio presente do Outono e a docilidade da primavera…A sensação de sentir na pele o inverno e se aquecer no verão.
Então, te proponho um desafio: que você não se perca dentro das palavras. Ela sabe como surgem os personagens.
A jogada está dada. O próximo lance é seu.
E se você quer entrar nesse mundo xeque aqui