Ao ler o meu livro você vai encontrar:

Fotografia: Lunna Guedes

Primeiro, o cheiro… que talvez seus sentidos te levem a pensar em flores de cerejeiras – ou sakuras, como dizia Kaori – e claro que é apenas uma sugestão minha, para que você pense nas cerejeiras, na certeza de que você encontrará sonoridade, gratidão e amor nas páginas de Colcha de Retalhos.

Colcha de Retalhos se trata de uma história de amor. Na edição de Lunna Guedes – maravilhosa! – o amor se transformou na costura, em forma de quadros e os capítulos uma colcha, onde a emoção predomina.

As ilustrações de Carly Ca traz ainda mais sensibilidade para um livro já tão sensível e delicado. Os números, em homenagem a Seiko e Kaori trazem acima da página a tradução em japonês.

Então, para você que adquirir Colcha de Retalhos, digo que você vai se emocionar, se deliciar e andar de mãos dadas comigo nessa história linda de amor.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
Se desejar adquirir o livro, o caminho é aqui

Colcha de Retalhos – trechos do meu livro.

Ela se foi num dia igual a todos os outros. Mas,
dentro de mim, se parecia com os dias de sua
partida rumo a um mundo outro, de descobertas.
Apenas uma viagem…
O sol se escondia quando a vida parou
ali.

Nos últimos dias, havia chovido tanto e, de repente,
estrelas surgiram no céu… e eu não me lembro de
ter visto tantas… era um mar de estrelas existindo
na janela daquele quarto.
Era… Vênus arquitetando meios de chegar à Lua.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
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Colcha de Retalhos – A história

A vida não escolhe os premiados em amar.
Simplesmente ama-se e ponto. Sem questionar os
porquês, ne? Porque isso é único e intransferível
.

Querida Anielle,

Essa carta chegará em sua mãos daqui alguns dias e ela te levará meu último livro Colcha de Retalhos… Escrevi essa história em 2015 e confesso que relendo tudo de novo, parece que tudo aconteceu ontem. As dores da saudada retornam, as lembranças são quase tocáveis e sei que sentirá o tanto de amor que Ana recebeu, porque a história é ela.

Eu tinha 16 anos quando conheci sua irmã e a vontade dela de viver me puxou pela mão e me virou de ponta cabeça fazendo meu riso ecoar na rua em que eu morava e em todo canto que estivemos Tudo era tão bonito nos olhos dela e sob o silêncio, que muitas vezes tive de quebrar.

Retratar as dores, as lutas e os caminhos que ela percorreu mundo afora, de uma forma singela como ela era foi a parte mais fácil. Falar da volta, da tranquilidade que ela buscou e da partida tão repentina para nós foi como rasgar de novo a ferida… Mas, olha, a delicadeza com que Lunna Guedes tratou e costurou cada quadro, dando vida, cor e voz para essa história foi como um bálsamo de cura.

Quis te escrever para que saiba que Ana permanece intacta no meu coração com a mesma magia e alegria de sempre e cada vez que vejo Marte no céu, em forma de estrela, sinto que ela se apresenta com o riso nos olhos de avelã que a gente nunca vai esquecer.

Os quadros foram costurados, e mesmo a história sendo um caso de dor, no fim, a colcha de retalhos se tornou aconchegante… e eu diria que ela te aquecerá a alma e também de todos aqueles que lerem e você por fim conhecerá a história de amor que moveu a vida de sua irmã dentro dos dias da maneira mais linda que se pode amar alguém e ser amada.

Abraço carinhoso,

Maryann

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
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Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalhos

Um dia, eu me libertei:
Agora, sou livro
Elke Lubitz

Quando minha editora fez a proposta para um projeto novo, com o tema direcionado para Retalhos, me vi costurando uma história em pedaços, como se fosse uma colcha, como se minha memória fosse alinhavada aos detalhes e o livro ganhou o nome de Colcha de Retalhos.

Os quadros foram surgindo em minhas lembranças e fui construindo a parte confessional. Colcha de Retalhos traz a delicadeza de um período delicado onde os personagens se misturam em meio a amizade, ternura, cumplicidade e amor.

Com edição primorosa e capa sublime de Lunna Guedes, ilustrações de Carly Ca o livro ganhou vida e cores de sonho. É uma história de amor e é também uma homenagem para uma mulher excepcional que viveu dentro de um tempo de amor.

Até onde podemos separar a realidade da ficção? Até aonde o nosso eu lírico pode nos levar? Convido você para nos próximos sete dias caminhar comigo de mãos dadas por pedaços pequenos dessa história que escrevi com um suspiro preso no peito e muito amor no coração.

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
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Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais
Fotografia: Lunna Guedes

Colcha de Retalhos… O amor mora em Marte.

Apresento a vocês meu mais novo livro. É o sexto… Pode-se considerar mais um filho? Sim!! Dá pra considerar que é um trabalho? Colcha de Retalhos é uma história contada quadro a quadro… é o amor retratado em linhas… bordado, costurado, dentro da cultura japonesa, porque foi isso que moldou minha história.
Além de que em Colcha de Retalhos eu me desnudo, nua e crua, dentro do sentimento de amizade, amor, ternura e encanto.

Colcha de Retalhos é um ideograma traçado na pele e tatuado na palavra amor.

Criava a galáxia em origamis e melhorava a cada
dia. Aspirava vontade de viver.

Muitas vezes, diante de uma perda, a gente se refugia no luto… em Colcha de Retalhos, eu flutuei fora do luto porque já não era mais tempo de chorar…

A vida não escolhe os premiados em amar.
Simplesmente ama-se e ponto. Sem questionar os
porquês, ne? Porque isso é único e intransferível
.

Era como se a palavra amor 愛 estivesse tatuada
em nós, por dentro.

Com ilustrações lindas e amor… nada mais além do amor e saudades, ofereço à vocês quadrados de uma colcha feita com sentimentos únicos e verdadeiros. Com toda delicadeza do livro artesanal, com costura japonesa e a sabedoria de Lunna Guedes, na edição. O lançamento será dia 27/11/2021, às 19hs, de forma on line.

Você pode adquirir aqui ou na página da Scenarium Livros Artesanais

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalhos | Mariana Gouveia

Às vezes, o mundo parece um enigma impossível de decifrar…

Scenarium

R$ 31,00

Às vezes, o mundo parece um enigma impossível de decifrar… mas, os mais atentos, encontram pistas que são como peças que o compõem, ou parte delas. E tentam encaixá-las umas as outras.
De repente, os nossos olhos descobrem paisagens inteiras, cenários tão nossos, geografias tão nítidas que é possível que alguém se reconheça nesses fragmentos conectados.
Em Colcha de Retalhos ocorre um encontro tramado pelo universo. Mas você pode chamar destino… se quiser.
E se não fosse pela sutileza da autora, que se esforçou por captar o significado especial de cada gesto-palavra-momento… tudo seria uma espécie de sol quebrado. Se você já espiou um céu nublado, sabe exatamente do que falo: aqueles raios que insistem em alcançar o chão.
Mariana nos brinda com a premissa de um instante único… em que tudo se alinha perfeitamente e os momentos geométricos se equilibram — como os planetas — no…

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Correspondência

“Nesta ausência que me excita, tenho-te, à minha vontade, numa vontade infinita…
Distância, sejas bendita! Bendita sejas, saudade!”
Gilka Machado

Caro vento,

Talvez abrir os braços e te acolher dentro de mim, incorporando roupas e cabelos, seja pouco… o que eu quero é redemoinho. Aquele lá da infância onde você surgia miúdo e ia ganhando os beirais dos currais e de repente estava lá, espalhando os lençóis nos varais e as pipas dos meus irmãos.

Você me lembra a liberdade… essa frase solta que calada não tem a força e que represada – igual minha mãe dizia — vai roubando instantes nos quintais vida afora. Você se tornando redemoinho fica igual menino furioso e o infinito se torna tão curto para além das cercas.

Tenho em mim os ideais de sua força… é como a força do mar, que ganha do rio as gotas e se transforma em gigante. Já imaginou se cada um de nós tivesse na mente a sabedoria de sua força?

O que me lembro de sua fúria, vem pelo olhar de minha mãe — eu, menina olho de poesia, e os arames farpados em nossa frente — e a cadeira preferida dela em seu centro e as folhas das palmeiras que circuncidavam nosso quintal viraram picadinhos enquanto seu furor rompia o monjolo, as telhas e além da cerca, a árvore de minha infância.

O medo, é esse bicho troncho, que nem avisa quando é de verdade e quando devemos realmente temer. Voltar é impossível na existência — minha mãe repetia — o olho deve ir além. Amanhã é outro dia, ela repetia, tal qual a palavra do filme, que ela nunca viu, mas ouvia via na rádio: E o vento levou era mantra aqui.

Esse rompante que ultrapassa as barreiras e invade os varais me fascina — é verdade — e ao mesmo tempo me retrai e se eu disser que hoje consigo lidar com seus avanços, minto.

Você é essa lembrança imperiosa que a mente não consegue apagar e ao mesmo tempo é essa ânsia de vida que acolhe o peito e transforma tudo que toco em redemoinhos.

Sou tão pouca diante dos retratos preparados e sou tão frágil feito pena aos seus olhos. A vida tem a dimensão exata do que você é capaz. Uma onda que escapa do mar e causa rebuliço no campo e arranca as roupas dos varais, mas que não pode comigo quando me permito voar.

Mariana Gouveia
Carta publicada no livro Delírios Comunistas
Scenarium Livros Artesanais
Você pode adquirir o livro aqui

Monocórdica

Monocórdica

Prefiro a nota principal
estilo invariável, único.

como se estivesse lendo – braile
como se a nota musical fosse dela
e ainda pede que eu cante
Pra ela…

ai, quem me dera que o encanto dure
que a música fosse relicário – fosse

que a sinfonia fosse mais doce…
que a melodia, a voz.
E a cadência de menina…
em nós…

Tão monocórdica
no seu sentido literal
coleciona músicas no varal…

Mariana Gouveia

Em todo lado a palavra pássaro faz asas e cor.

Julgo ver nele a cura para a dor…
Do outro lado da árvore, a lua tem a cor de mel… eu acreditava nas coisas do destino e lembrei-me de fotografias que nunca tirei. O som da letra do canto da ave é como um poema esculpido na árvore e toma-se a forma das flores. As relvas frescas a molhar os pés e os sorrisos estendidos em mil árvores que meu pai chamava de floresta… o céu a desenhar presença de nuvens e eu procuro as lembranças que escrevi ali. Havia a mão de criança a segurar a saia e um vulto marcou o voo e o pouso… enquanto as lembranças da mãe eram desenhadas nas falas das irmãs, trazendo recordações que parecem tão recentes diante das histórias narradas. Lê-se a presença diante das memórias, lê-se silêncio, sim, tantas vezes… Era o silêncio dos gritos dos dias vividos e as recordações a ecoar dentro das palavras.  O quintal molhado de poema vem daqui… o olhar impregnado de memórias… deixo que elas venham sem metáforas… crio na mente o poema e com ele invento histórias para relembrar em dias sem sono. O poema será quando as crianças e os pássaros se rebelarem, e ainda assim, tudo continuar presente mesmo distante. E no pomar as árvores espreitam a corrida para abraçar o pai e esperar que a asa seja leve…  Guardar tudo isso na fala da solidão para aprender o olhar de presença mesmo quando a palavra poema aproxima do que meus olhos me veem enquanto só sei escrever o seu sentido.

Mariana Gouveia

O mundo acontece dentro do milagre.

O calor no rosto me leva para outra cidade – aprisionaram o vento dentro da intensidade da palavra – foi uma cerimônia bonita. O rio e os envelopes rasgados. O canto da ave num dia triste. A febre e a ilusão do delírio. Havia qualquer coisa de estranho no objeto bordado. O pássaro desenhado como se lembrava na memória obscura da pele. O toque da pena a dimensionar o voo. Dizia que sem pressa devia partir. Ou esperar. Ou ir e voltar – esquecia da última frase da carta. Mas sentia na ponta dos dedos, apenas essa solidão esférica. De cidade vazia e de rio longo e serpenteado perto das margens de onde avistava os papéis que não enviara a rodar, como se fosse de encontro ao mar. Como se morresse de fome e sede – e não havia nada para matar a fome. A vida seca, úmida de alma. Invento as escalas do mês. O mundo acontece dentro do milagre. O ausente fica lindo assim distante. O voo não dado é o que me leva a querer esse cheiro terrestre infinito… onde o vento apenas se finge de sopro.

Mariana Gouveia