Das palavras das cartas · infinitamente · Lunna Guedes · Mariana Gouveia · Scenarium Livros Artesanais

Queria ver se chegava por extenso, ao contrário

força e pulsação e graça,
isto é: a luz, de dentro,
despedaçando tudo,
e concentrada:
estrela.
Herberto Hélder

Lunna, bambina mia, amore… 

Não importa qual nome te chamo ou em qual letra me declaro. Cursiva? News time? De lápis? Caneta?Eu te pinto com palavras. Em cores minhas-tuas-nossas. Muitas vezes, começa no azul do meu céu, com minhas manhãs calorentas… Em outras, no ocre das folhas que encontra em seu caminho, no verde da árvore – já minha, de estimação – que você me entrega na visão de sua janela.

Eu te escrevo amor, bambina e te escrevo por extenso, gigante dentro de mim. Te escrevo lunar – Lunna tu – em canções onde repito e repito seu nome.
Te escrevo força. Da pessoa que se mostra no abraço.  Na tempestade que se anuncia no meu céu, nos trovões que transpassa a alma e o cuore.

Te escrevo pulsação. Do cuore. E no pulsar das palavras te descubro missiva. Dessa de envelope único, de entrega imensa quando ama. De palavras que atravessam tempos e se esparramam em cadernos.

E assim, te leio. Única! Absoluta. 
Tão menina, às vezes, tão mulher em tantas. 

Nas minhas manhãs, a sua risada é sinfonia que ouço ao som do vento no meu quintal. Mas às vezes, é apenas o aconchego de uma quietude quando te sei aí, dentro dos seus silêncios.  Esse dia eu nem preciso marcar na folhinha. Ele é tão seu e por isso, minhas palavras te abraçam nesse ritual nosso.
Você é o poema que me alcança, você é a ligação de pessoas tão lindas para mim e io te voglio bene!

Auguri!
Bacio,
Mariana Gouveia
Projeto Blogvember – Scenarium Livros Artesanais
Participam juntos comigo: Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Roseli Pedroso Suzana Martins

Das palavras das cartas · Projeto52 · Scenarium Livros Artesanais

Possuo a doença dos espaços incomensuráveis.

Se eu pudesse escolher, gostaria de me transformar numa música,
porque além de bonita ela desaparece.
Sumir por um tempo deve ser o máximo.

Luciane Recieri

Bambina mia,

Recebi sua missiva numa manhã seca, já com nuances de queimada em meu lugar. Diferente de você, eu aconteço nas manhãs e sigo rituais que meu corpo já acostumou viver. Coar o café, aguar as plantas, falar com os cães e pássaros, olhar o céu e sua infinidade de cores matinais e ouvir músicas… e daí me componho diante das horas…

Lendo sua missiva me vi durante horas no seu questionamento – quanta espera realizamos durante um dia inteiro? – e pensei nos caminhos invisíveis que cruzamos. No meu último encontro com meu pai falamos sobre o sentido das horas… ele disse que chega um tempo em que as horas não fazem mais sentido e que o sentido do tempo fica registrado no olho. Pensei em você e contei para ele como você “fazia” meus livros. O olho dele lacrimejou e um riso se desenhou dentro dele. Algumas pessoas são destinadas para nossas vidas – ele falou – e fiquei pensando nisso. E de como algumas coisas são comuns entre nós. Como os chás.

O chá ocupa minhas tardes, você sabe… Nas manhãs, eu sou cafeína e nas tardes sigo o ritual dos chás… Aprendi lá na infância com meu pai e tenho minhas ervas plantadas aqui, no quintal. Colho ora o alecrim, ora o hortelã, e outras ervas que tenho aqui… e também escolho a xícara. Sou apaixonada por xícaras e tenho uma preferida… Por falar em xícaras, queria te contar que meu pai ainda tem as xícaras esmaltadas em uma caixa de chapéu e fazendo a limpeza de algumas coisas, encontrei a minha – essa da foto que ilustra a carta – já gasta pelos anos e as mudanças.

Você sabe quantas coisas cabem dentro de uma simples xícara de chá?  Sua pergunta fez meu cuore saltar… eu poderia te responder essa pergunta com todas as memórias que o olho do meu pai desenhou. Nessa xícara com florzinhas amarelas, eu bebi leite tirado na hora, dentro do curral, café com bolo de queijo, na beira do fogão de lenha e chás de erva-doce para aliviar a febre. Ela foi companheira de uma vida toda e estava guardada com ele, como se fosse um tesouro.

Embora meu pai ame café, ele foi feito de rituais de chás. Daria um livro as histórias que ele conta sobre chás. Já te contei que na casa dele tem um pé de canela? Dessa vez, não tive sorte. As folhas ainda estavam verdes e não havia nenhum pau pronto para colher. Ai de mim se arranco qualquer folha sem o consentimento dele! Esse pé de canela é um santuário para ele e foi ali, na sombra dele que nossos abraços aconteceram na despedida. Parece que foi ontem e já fazem 7 dias.

O tempo e sua velocidade além de nós… O tempo e essa ligeireza das horas. Lembro-me que você me perguntou se eu já havia chegado de viagem… eu ainda tenho o olho do meu pai na alma. Acho que possuo a doença dos espaços imensuráveis, bambina. Cada vez que volto, fica um pouco de mim no choro de minha irmã, na benção do meu pai e em cada imagem que registro ao longo dos dias.

A tarde avança… é quase noite… uma canção ecoa aqui e o chá esfria na xícara. Aceitei seu convite brindando o ano 10 de Catarina.

Bacio,
Mariana Gouveia
*Último post do projeto 52 – 52 cartas escritas no último domingo de cada mês, durante um ano –
Scenarium Livros Artesanais
Participam desse projeto
Lunna Guedes Obdúlio Nunes Ortega

Das palavras das cartas · via lunar

Ignoramos ser no horror, que forjamos nossa mortalha.

Bambina mia,

Quando me fez o convite para a próxima viagem, não pensei duas vezes… sabe aquele instante em que a pessoa te pega pela mão e te puxa levando por histórias, caminhos, ruas e praças? Foi assim que me senti. Adoro quando você me leva pelos seus caminhos, pelas suas ruas, pelas suas praças e feiras.

Adoro quando me mostra as folhas que você encontra por aí. Adoro ainda mais quando sua história se mistura com a minha. E cá estou eu, no quintal enquanto a lua cheia surge imensa logo depois do muro. Você sabe que sou fascinada pela lua e ontem aconteceu a lua de “morango”. Uma super lua que caminhou lentamente no céu. Fiquei horas com a câmera em punho registrando – e ainda estou – o movimento dela. Ora entre nuvens, ora em um céu forrado de estrelas. Ouvi Bethania e vi a lua se banhando em um balde aqui.

Me vi embalada pelas lembranças. Já te contei tantos causos do meu pai e de como ele nos envolvia em poesia, talvez até sem saber. Meu pai banhava a lua cheia… – te contei isso hoje – e guardava a água em potes de barro ou moringas. Servia para curar males da alma e do corpo. Descobri que sua nonna também e quando descobri isso meu cuore acelerou. Nossas falas foram se entrelaçando e como sempre, você está sempre na minha frente. Quando eu vivo as horas, você já viveu. Mesmo você sendo minha bambina, é como se estivesse um tempo a frente do meu… o meu espelho reflete em tantas coisas que você já viveu.

Você precisa do elemento urbano para existir… já eu, preciso do lúdico, dessas coisas que as memórias me trazem. Já tenho tantas suas guardadas aqui. Ainda me lembro de alguns edifícios com seus nomes enquanto um ônibus nos levava pelas ruas do seu lugar. Mas também tenho nas memórias coisas de sua vida em que eu nunca estive e senti-me lá. Eu seria capaz de atravessar o oceano agora e ver a lua sobre tua cidade… e mesmo sem poder fazer isso, parece que já fiz… entende isso?

A lua segue seu curso, bambina e consigo ver as estrelas sendo apenas acompanhantes desse movimento lunar. Parece que vi um pássaro noturno voar aqui e lembrei-me de um poema de Matilde Campilho, que gosto:

“Li sobre pássaros e passei a saber que os pássaros medem a distância em unidades de corpo e não em metros: a densidade de cada corpo não importa, o que importa é a distância entre eles. Ainda assim me perguntei muitas noites sobre a qual seria a medida de uma asa”

O poema me lembrou coisas que conversamos… será que a asa é essa sintonia que nos liga? Ou seria a medida dela seria esse convite aceito para continuar a viagem com você? Para responder a sua pergunta digo: vou sempre, bambina mia… com você, vou até a lua.

Bacio,
Mariana Gouveia

Lunna Guedes · Mariana Gouveia · Scenarium Livros Artesanais

Vermelho por dentro.

Quinta-feira… o sol a pino e uma fuga por ruas inventadas para automóveis e não para pessoas.
O silêncio dos contornos a faz feliz.
Ela dispara seus passos e leva consigo qualquer coisa de felicidade.”

Pela quarta vez – e como se fosse a primeira – li Vermelho por dentro, de Lunna Guedes, publicado pela Scenarium Livros Artesanais. A primeira vez que o li, ele trazia o cheiro de livro novo, com a delicadeza das ilustrações de Adriana Aneli. Sorvi o livro em dois dias, na época, como se bebesse uma taça de vinho. A história me encantou. Mãe e filha e seus sentimentos misturados em mágoa, ausência, distância e ainda assim, o amor e seus paralelos mesmo com tantas contradições nessas relações.

Na segunda vez, fiz uma leitura via chamada de vídeo com uma amiga. De tanto eu comentar sobre a história, nas manhãs de terças e quintas-feiras eu lia para ela. Foi como ofertar um presente. Explicar os personagens, comentar sobre algumas frases. Levamos um mês para ler as 323 páginas. O livro já não tinha cheiro de livro novo, mesmo porque já havia sido emprestado para algumas pessoas… mas tinha cheiro dos lugares que o livro descrevia… era como se eu estivesse andando pelas ruas de Paris ou São Paulo.

Na terceira vez, li o livro em um projeto que faço parte, onde cuidamos de mulheres em situações de risco, ou sofreram agressões de seus companheiros e senti que a leitura foi um bálsamo para elas. O livro tinha o cheiro de esperança. Nas manhãs de sábados, passávamos duas horas entre aulas de artesanatos e leituras. Era uma desculpa para que pelo menos, em algum momento, elas se desprendessem das suas próprias histórias e embarcassem numa viagem… Confesso que em muitos momentos me emocionei e de como algumas partes do livro cabiam na vida de cada uma delas.

No mês de abril, ao abrir a estante o livro me chamou. Foi um convite. Ele se ofereceu e eu mergulhei de novo na história de Eva e Deborah. Confesso que sou apaixonada pela Anne. Talvez pela paixão pela fotografia tenha nos unido. Novamente me vi envolvida na história e foi como se tivesse lendo pela primeira vez. Não vou dar spoiler por que quero que você descubra e se encante pelo Vermelho por Dentro.

Respirou fundo… a cabeça estava cheia, a alma em suspenso e todas as coisas de sua vida embaralhadas. Sentiu o coração palpitar, o ar lhe faltou.
Medo da vida, dos afetos… de acreditar de novo e falhar. Deu um passo para trás, baixou os olhos para ver dentro.
Sentiu o toque na pele… o beijo nos lábios…

Vermelho por dentro me vermelhou em encantamentos. É uma história que te prende do início ao fim e por fim só nos faz suspirar. Se eu fosse você, eu clicava aqui e pedia um para chamar de seu.

Mariana Gouveia

Lunna Guedes · Mariana Gouveia · Scenarium Livros Artesanais

É seu, o lápis de cor!

“A vida tem a cor que você pinta”.

Mário Bonatti

Bambina mia,

Inauguro minha manhã nos primeiros raios de sol que chegam. Ontem, choveu. Pareceu-me que trovejou também. Ouvi o céu fazer seus rumores. Mas, hoje não. Hoje, o céu desenha nuvens sem segredos. Como se abrisse sua caixa de lápis de cor e com ela, tal qual uma criança danada que rabisca as paredes recém-pintadas, nuvens brincam com as nuances das cores.
Nesse momento eu penso em você e de como as palavras me conquistaram. Não! Minto. Foi o silêncio mesmo. Era uma menina do sótão, que através de histórias me levava a passear por entre as dela. O cão, o menino, C, o amor da vida dela. Outono, missivas.
Fiquei na janela como a espreitar um livro, que eu folheava docemente querendo fazer parte de tudo. Cada história me cabia. Cada personagem, era eu, fingindo-me tão conhecida que chegava a cumprimentar.
Confesso que o que me chamou atenção foi o Caderno Vermelho. Ali, eu me envolvia como se fizesse parte do que ela (d) escrevia… A cortina que o vento balançava quase me jogava dentro das tintas e das letras.
Era Outubro quando ela surgiu misteriosa aos meus olhos em um ano qualquer. Primavera nas folhinhas que designava as estações enquanto ela gritava que preferia o outono.
Consegui acompanhar seus passos pela cidade. Mostrava-me o inusitado do tempo, a umidade ou a secura do dia. Ela deu-me a chave que abria a porta para as possibilidades. Para o sonhar e ao mesmo tempo, despertava-me na ansiedade dos dias. O dia, que para ela sempre começa depois que o meio dele se foi.
– Ah, não me queira tão cedo, menina. Sou da tarde, depois da xícara do café fumegante e de ler e reler os e-mails. De viver o aconchego do cão. Da foto do aplicativo que mostra que acordei. Dos caminhos até o café, onde pessoas de ontem passam por você e seus olhos não guardam o que você viu. Ou por que a cidade é urgente demais e hoje, o que era ontem, não é mais.
Sem estar pronta, ela está toda preparada. De riso solto e de braço que nesse instante, eu ia querer abraçar. Ou apenas calar diante de tua presença.
Então, guardo minha caixa de lápis de cores e reabro quando o sol já colore a tarde e vagueia na imensidão do céu.
Vejo o calendário. Já não é mais o dia que ela falou em poesia. Já é outro e desponta com a celeridade peculiar do astro solar e quando você percebe já não é mais esse dia. O calendário muda na velocidade das horas e nesse momento, dou-te a arte. Essa que se desenha nos momentos que viveu.
Dou-te a emoção do silêncio. Esse, que grita em tuas paredes e que revolve os lençóis brancos jogados sobre os móveis e que quaram sobre tuas lembranças. Dou-te a orientação sobre os caminhos que te levam ao encontro da esquina.
São olhos que você nunca havia visto, mas que, te mostram onde caminhar. Ou apenas silenciam ao teu passar.
Toma. É seu o lápis de cor que pinta esse céu com as tempestades que a meteorologia adivinhou em você. Pinta tua vida com o riso dos encantos e que só a magia dos poetas conseguem descrever. Não precisa estar pronta. Nem é necessário que esteja. Te refaz perante meus olhos ávidos, o sonhar. Redesenha nas paredes dos seus sonhos a vontade do viver enquanto eu escrevo o que ainda conheço, mas imagino entre meus dedos na melodia de aquecer a alma o que aspiro conhecer.

É seu, esse lápis que te dou e que diariamente com ele, você descreve  o amor e pinta dia de sol com cores renovadas. E nas levezas do artesanato, encaderna sonhos e os espalha como semente em um jardim.

É seu, o lápis de cor.

Mariana Gouveia
Texto publicado no caderno de Notas – Terceira Edição
Scenarium Livros Artesanais

É abril e é mês de b.e.d.a – blog every day april
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Ale Helga – Mãe Literatura – Darlene Regina

só porque eu ouvia Èra Già Tutto Previsto

Lunna Guedes · Mariana Gouveia · Projeto52

Caminho… e atrás de mim caminham lugares…

Bambina mia,

Já te aviso de antemão que essa carta é extra-sensorial… Em alguns momentos você pode fechar os olhos e sentir o vento… o caminho por onde te levo tem vento e tem o cheiro de sua cozinha, da xícara de café, do pão no forno sendo assado… e tem tato, porque posso sentir você ao mais leve toque na tela do computador… o abraço quentinho, a risada moleca e o som da bolinha de tênis ecoando pela casa enquanto Jane dog tenta roubá-la…

Acabei de descrever a saudade – você sabe disso – e vendo sua foto sorrindo, é como se você estivesse em minha frente, abrindo caminhos calçadas afora para eu não tropeçar, indicando esquinas enquanto caminho…
Caminho… e atrás de mim caminham lugares… e posso detalhar cada centímetro das ruas que caminhei contigo.
O vento gelado de um fim de agosto, garoa fina, mala arrastada…
Ônibus lotado e seus olhos marejados enquanto te contava minha história e senti ali, a cumplicidade de quem entende o outro sob o olhar atento do amor. Tantas coisas que já vivemos juntas.

Poderia enumerar datas e assim, marcar o tempo que existo em sua vida… mas, acho, que eu me enganaria porque acredito que o Universo só nos reaproximou de novo, de algum tempo em que não lembro, só que desde o primeiro abraço houve o reconhecimento de que eu já estive dentro dele em outro tempo.

Essa missiva está adiantada algumas horas, porque seu dia é amanhã e seria para amanhã minhas palavras. A gente anda se emocionando juntas em conversas em aplicativo de mensagens, e posso dizer em segurança que sua mão segura a minha sempre… em filas de espera, enquanto faço almoço, jantar, café da manhã… quando trovoa, quando tem sol e então, nesse meu caminho, sei de sua presença ali, mesmo não estando e a cada caso novo, história, memória e até fofocas, você está ali, atenta ao meu chamado. Sou grata por você na minha vida… se eu sou um afago do universo para você… ah, bambina mia… Você é a porta segura que sei que ao bater, ela se abrirá para mim. Com todos os aromas que uma casa possui, inclusive da pizza que acaba de me oferecer e seu abraço tão reconfortante.

Sou mesmo uma abençoada!

Auguri!

Mariana Gouveia
Projeto 52
Lunna GuedesAnna Clara de Vitto

Colcha de Retalhos · Lunna Guedes · Mariana Gouveia · Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalho – Os personagens.

Qual planeta habita hoje? — pergunto com o olhar
a vigiar o teu céu.
Qual emoção move nesse plano além dos olhos?

A fita de cetim dá contornos à Colcha de Retalhos e usando a simbologia do amor os personagens trazem a delicadeza dentro da história:
Mariana/Maryann – é a narradora da história onde conhece a cultura japonesa com a vizinha Kaori e Seiko, um casal de japoneses que migraram para o Brasil e posteriormente para Mato Grosso, aonde se passa a história.

Ana de Marte é a protagonista. A história se passa em volta dela. Uma menina/mulher que após sofrer um incêndio em sua casa, e perder os pais, vem se recuperar das queimaduras na casa de Kaori e ali passa a viver o amor com a vizinha Maryann.

Basicamente, são 4 os personagens, mas há também o inquilino (que compra a casa de Ana) que tem uma participação linda na história e se torna amigo de Maryann.

Esses personagens se intercalam na delicadeza da narrativa da autora. Com edição de primorosa de Lunna Guedes e ilustrações maravilhosas de Carly Ca, Colcha de Retalhos passeia com suavidade no amor entre duas mulheres e a saudade após uma partida prematura.

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
Se desejar adquirir o livro, o caminho é aqui

Colcha de Retalhos · Mariana Gouveia · Scenarium Livros Artesanais

Colcha de Retalhos – A história

A vida não escolhe os premiados em amar.
Simplesmente ama-se e ponto. Sem questionar os
porquês, ne? Porque isso é único e intransferível
.

Querida Anielle,

Essa carta chegará em sua mãos daqui alguns dias e ela te levará meu último livro Colcha de Retalhos… Escrevi essa história em 2015 e confesso que relendo tudo de novo, parece que tudo aconteceu ontem. As dores da saudada retornam, as lembranças são quase tocáveis e sei que sentirá o tanto de amor que Ana recebeu, porque a história é ela.

Eu tinha 16 anos quando conheci sua irmã e a vontade dela de viver me puxou pela mão e me virou de ponta cabeça fazendo meu riso ecoar na rua em que eu morava e em todo canto que estivemos Tudo era tão bonito nos olhos dela e sob o silêncio, que muitas vezes tive de quebrar.

Retratar as dores, as lutas e os caminhos que ela percorreu mundo afora, de uma forma singela como ela era foi a parte mais fácil. Falar da volta, da tranquilidade que ela buscou e da partida tão repentina para nós foi como rasgar de novo a ferida… Mas, olha, a delicadeza com que Lunna Guedes tratou e costurou cada quadro, dando vida, cor e voz para essa história foi como um bálsamo de cura.

Quis te escrever para que saiba que Ana permanece intacta no meu coração com a mesma magia e alegria de sempre e cada vez que vejo Marte no céu, em forma de estrela, sinto que ela se apresenta com o riso nos olhos de avelã que a gente nunca vai esquecer.

Os quadros foram costurados, e mesmo a história sendo um caso de dor, no fim, a colcha de retalhos se tornou aconchegante… e eu diria que ela te aquecerá a alma e também de todos aqueles que lerem e você por fim conhecerá a história de amor que moveu a vida de sua irmã dentro dos dias da maneira mais linda que se pode amar alguém e ser amada.

Abraço carinhoso,

Maryann

O lançamento acontecerá em uma live, no Instagram da Scenarium, no dia 27/11/2021, às 19hs – horário de Brasília.
Se desejar adquirir o livro, o caminho é aqui

Mariana Gouveia
Colcha de Retalhos
Scenarium Livros Artesanais

Delírios Comunistas · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

A teoria dos dois demônios

Eu nem estava por aqui quando o país enfrentou a grave ameaça comunista obrigando seus Militares — homens de bem, trajando fardas bem lustradas, com os peitos estufados, salários pontualmente pagos e armas toscas em punho — se viram obrigados a defender a Pátria… espanando a pobre Democracia, que convenhamos, por aqui, nunca foi lá uma de.mo.cra.cia.

Não sei se sabem, mas a tal da Proclamação da República — um ato não tão bem encenado do passado — foi um feito Militar ou como eles não gostam de afirmar: um Golpe contra o Império, que nesse caso não foi capaz de contra-atacar.

O fato é que naqueles tempos o exército brasileiro se considerava uma força política capaz de confrontar a aristocracia do Império tupiniquim e o fez. Mas não demonstrem surpresa ao saberem que uma mentira foi o estopim para tudo acontecer.

Essa mania que a história dos homens tem de se repetir… é tão monótona. Mas, acontece. Não há dados que nos posicione a respeito. De quanto em quanto tempo isso acontece. Nem a moça do tempo é capaz de aferir uma previsão a respeito. Duvido que algum cientista conceituado tenha se dado ao trabalho de investigar tal fenômeno.

Mas vamos lá… um fato que não se confirma, mas que eu desconfio é de que todo brasileiro é meio ditador. Adora apontar o dedo na direção do outro ou passar adiante a culpa. Responsabilizar o outro faz bem… principalmente à tal Elite brasileira — esse fenômeno quase impossível de identificar. Foco no quase! — por aqui, pobres pensam, classe média pensa… que é Elite! Se ganhar bem e realizar o tal sonho da casa própria, que pode — e acontece com frequência — virar um terrível pesadelo, pronto… é Elite e saí por aí com o nariz empinado no ar, com o rabinho a abanar. Porque o importante é sair sacudindo o molho de chaves e riscar o quadradinho do imóvel próprio na hora de fazer um cadastro em algum lugar. Se tem um carro — financiado em eternas prestações e juros absurdos — é o Senhor da rua e ouve na sua cabeça a marcha imperial. Convertido em Darth Vader, a criatura passa no sinal fechado, ao estacionar não deixa espaço para o outro. Não liga se a vaga é preferencial. Grita alucinado com o outro motorista e buzina com o pedestre que está sempre errado. O Cara é proprietário de uma máquina… abram caminho que ele está passando — cada vez menos, já que o preço do combustível, o desemprego, a inflação. Muita informação para um único dia em que pode terminar com ele instalando o aplicativo da Uber no celular para poder pagar as suas contas no final do mês.

E se o sujeito mora bem… ah é o Cara! Chega em casa com meia dúzia de cervas bem geladas, um pedaço de carne e vamos de churras na varanda, onde pode acender um cigarro e contribuir com o ar da cidade, cada vez mais seco e poluído. Tem aquele papo de aquecimento global — que chatice! É nessa hora que o cidadão — imita os milicos, estufando bem o peito — e do alto de sua santa estupidez, diz bem alto para os vizinhos

escutarem e fazerem coro com toda a raiva acumulada na vida: “isso é coisa de comunista”. E pronto… vai dormir satisfeito porque a sua bandeira jamais será vermelha e ele precisa acordar cedo pela manhã para manter as engrenagens do sistema funcionando.

Ano que vem tem eleição e ele já tem discurso pronto: nesse diabo que está aí eu não voto mais. E muito menos naquele outro, o barbudinho bandido de nove dedos que acabou com o meu Brasil.

Bom mesmo era no tempo dos Militares, que salvaram o país dos comunas — lembra que eu mencionei que o Império caiu graças a uma mentira? Pois é, a Democracia também.

Mas naquele tempo era bom… não se falava em corrupção, assalto, roubo. A gente saía às ruas numa boa. Ninguém ouvia falar em mulher que apanhava, criança estuprada. Não tinha esse mi mi mi de preto-gay e esse papo de gênero isso, gênero aquilo. Criança se educava no tapa e todo mundo crescia sem frescura. Existia limite. Filho tinha medo do pai. Mulher tinha medo do marido. Naquele tempo as coisas funcionavam… e tudo estava no seu devido lugar. Nunca existiu ditadura no meu país. Foi um momento militar e foi muito bom para todos nós. Um verdadeiro milagre brasileiro!

E lá vai o homem da zelite dormir seu sonho feliz de Brasil do passado… ops!

Tecla verde e confirma… quem sabe tudo volta! Mas sabe como é sonho, sempre pode virar pesadelo. Já pensou se o botão fica vermelho? Que diabos!

Lunna Guedes
Texto publicado no livro Delírios Comunistas
Scenarium Livros Artesanais

6 on 6 · Lunna Guedes · Scenarium Livros Artesanais

Projeto 6 on 6 | Scenarium…

Falar sobre os livros da Scenarium Plural para mim é como falar de filho. Você vai ver aqui aquela mãe boba que só admira cada coisa que o filho faz.
A Scenarium entrou em minha vida pelas mãos de Lunna Guedes e foi amor à primeira vista, ao primeiro comentário e depois disso tivemos tanto de primeiro/primeira que até hoje tenho primeiros lances com ela.
Dessa descoberta veio as realizações de sonhos e tudo que aconteceu está aqui registrado em posts, poemas, cartas e fotos.
Mas, hoje, venho te mostrar a minha Six Top List dos livros que a Editora publicou e que te convido a conhecer:

Lua de Papel I, II e III
Lunna Guedes

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Lua de Papel não é só um livro. São três! Não é só uma trilogia! São histórias que se encontram e encantam.
Eu, amei cada um deles e enveredei pela história de uma maneira que ficava torcendo para que no próximo capítulo fosse além do que a autora descrevia. Lua de papel me fez viajar, sonhar e ficar como se estivesse dentro do livro, quase à beira da janela e bastava fechar os olhos e respirar e eu já era parte do livro…
Me apaixonei por cada personagem e muitas vezes tecia meu diálogo com elas. O livro me surpreendeu em seu final cativante e encantador.

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Dentro de um Bukowski
Aden Leonardo

“para o que existiu e foi deixado sob o lago
– aquela imensidão do esquecimento, do dia a dia. Um “B” lado oposto da realidade,
debaixo das estrelas”.

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Dentro de um Bukowski me levou/leva para dentro dos delírios. Aden me leva em uma viagem onde me deixo levar pelo lirismo latente.
Ouso, camuflo, domino, choro e rio junto.
Com ela eu não conjugo os verbos, eu os engulo e devoro. Talvez eu solte o grito que ela guarda. E literalmente viajo com ela pelas estradinhas – entre ida e volta – de Minas.
Confesso que enquanto “viajo” pego alguns atalhos dentro da paisagem e isso se transforma na melhor parte da viagem.

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A construção da primavera
Adriana Aneli Costa Lagrasta

“Ele está certo, do verão amo a tempestade, que estranhamente se antecipa no outono, este ano.

“Percorria o vidro com a ponta dos dedos, respirava fundo – como quem morre – e misturava o lado de fora ao lado de dentro…”

Compartilhei desta chuva de hoje… a de sempre… a memória: somos 60% água, matéria líquida aconchegada à passagem do tempo”.

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Adriana Aneli primeiro me embriagou com seu Amor Expresso. Sorvido, bebido e adorado. Além da simpatia – e simpatia é quase amor – e da materialidade do livro apreciado em um trabalho lindo do Atelier Flávia Taiano – que te convido a conhecer – os 50 mini contos me levaram à tardes mornas, aspirando o cheiro do café enquanto degustava o livro.
Já A Construção da Primavera me trouxe o ritmo das estações. Dentro de um projeto lindíssimo: O Diário das Quatro Estações – do qual me orgulho imensamente em fazer parte – Adriana te pega pega mão e te leva o ar supremo do outono adocicado pela sua poesia, à doçura da primavera em plena construção, ao inverno mesmo acinzentado e florido e um verão de luxo puro dentro das palavras dela. Com isso, ela constrói não somente a primavera, mas todas as estações derramadas de poesia.

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Scenarium
Plural North and South

Estamos sempre à beira. podemos quebrar a espinha ou virar o mundo. não é questão de escolha, às vezes. mas pode-se reconhecer, pelo menos, que à beira sempre está presente.
estamos sempre à beira. há os que percebem. há os que sentem somente frio na barriga. não há volta, o frio na barriga não perdoa.

estamos sempre à beira. entre nortes e suls, estaremos perdidos (como se quisessemos direção…); entre lestes e oestes, a mesma falta, o mesmo desapego.

estamos sempre à beira, mesmo quando caímos.

à margem, à beira, norte e sul.
Claudinei Vieira

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Com Plural North and Soul e o poema de Claudinei Vieira falo do Projeto Plural e toda diversidade e gama de poetas magníficos que nos presenteiam com participações especiais nas quatro edições durante o ano. A Plural é uma revista de luxo onde a troca e a pluralidade te faz singular dentro da literatura. A arte inserida desde o projeto ao formato nos torna parte da ideia, do contexto e por fim, da poesia dividida entre uma gama de autores que embarca na ideia da Editora.

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Septum
Lunna Guedes

gosto das madrugadas frias, com cheiro de chá quente na xícara… vinho na taça – um gole ou dois e os sabores se precipitam – gosto de um som a dizer suas notas e a pilha de livros a espiar-me, como se dissesse: leia- me. Gosto de ver os envelopes vazios… com suas cores a dizerem possíveis destinos.
Meus mapas são outros…eu me movo através de elementos particulares. Vou de uma esquina a outra em busca de uma mesa de canto do mundo, da vida e do corpo. Cheque mate!

Lunna Guedes

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Quando Septum se abriu aos meus olhos eu mergulhei dentro do imaginário de Lunna Guedes. Não fosse pela delícia de vasculhar as palavras que tão bem me tocam seria pela jogada de mestre de Lunna de nos prender ao seu mundo. As histórias nos envolvem a ponto de acharmos que a história é nossa e que o personagem pode ser eu, você ou alguém conhecido… Septum traz a magia do sete. Do mês da primavera, do idioma diferenciado em explorar nosso pensamento na melhor forma de desvendar os mistérios onde os brancos são preenchidos entre o encanto e os gestos.
Septum é esse gesto pronto de entrega.
Lunna nos presenteia e oferece dentro das estações a sensação plena delas. Septum é o próprio presente do Outono e a docilidade da primavera…A sensação de sentir na pele o inverno e se aquecer no verão.
Então, te proponho um desafio: que você não se perca dentro das palavras. Ela sabe como surgem os personagens.
A jogada está dada. O próximo lance é seu.

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Detalhes Intimistas
Tatiana Kielberman

Ontem você me encontrou no meio da rua e me trouxe de volta para casa. Eu te pedi apenas um grão de areia, um pedaço de chão… mas você me ofereceu em retorno um território inteiro de lembranças e saudades.
Foi como estar dentro do abraço de antes, ao qual nunca deixei de pertencer: metade-inteira-fraqueza-inquietante…
Você sempre me soube, e ontem não foi diferente… Aquela mesma figura afetuosa adentrou minha alma com seus olhos de raio-X, oferecendo respostas àquilo que eu nem havia perguntado, e silenciando cada uma de minhas insistentes e levianas dúvidas…
Uma doçura mesclada com imponência perfaz as metáforas do seu caminho, e diante dessa singeleza me reverencio, pois foram seus gestos tênues que plantaram em mim a semente da realidade – elemento sempre tão frágil aos meus olhos…
Hoje o dia amanheceu mais claro, e mais bonito também… Confesso: estava com enorme saudade de enxergar a vida assim!
Quando você vem me encontrar outra vez?

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Tatiana um dia me disse: “Palavras não são capazes de traduzir o carinho que sentimos”… e eu digo que são…
que as palavras que Tatiana me leva pela mão como se desenhasse o caminho para eu seguir.
Tatiana escreve com a alma e por isso, em cada texto a alma se mostra e faz com que o coração acelere e aceite a loucura e a lucidez, a fragilidade e a força. Tudo una e várias dentro dela.
A menina e a mulher. A fome e a saciedade.
Com as palavras Tatiana Kielberman nos abraça, acolhe, afaga e nos instiga a descobrir o mistério que ela tão sutilmente sugere.

Mariana Gouveia
Projeto 6 on 6 – Scenarium
Conheça mais um pouco de nosso autores aqui:

Adriana Aneli
http://www.adrianaanelicosta.com/

Lunna Guedes
https://catarinavoltouaescrever.wordpress.com/

Aden Leonardo
https://www.facebook.com/aden.leonardo?fref=ts

Claudinei Vieira
http://desconcertos.wordpress.com/

Tatiana Kielberman
https://meusabismosfaceis.wordpress.com/