As leituras de 2020.

“Seja lá qual for o material que de que nossas almas são feitas,
a minha e a dele são dos mesmo.”
Emily Bronte

Geralmente, não faço um balanço dos livros que li ao longo do ano. Como disse em outros posts, minha estante é limitada. Não tenho muitos livros… minhas leituras ganham contornos com adoção de amigos, algum presente que ganho e os livros da Scenarium Livros artesanais que preenche minha estante com sua arte, fitas e histórias lindas.

2020 foi um ano diferente. Li muito e confesso que li bem menos do que gostaria. Comecei 2020 lendo Alice, uma voz nas pedras, romance de Lunna Guedes, como parte do Clube do Livro da Scenarium. Alice foi um golpe no estômago, foi falta de ar. Li Alice em 2020 três vezes. A primeira, como participação no Clube; a segunda, em uma leitura on line para uma amiga de Portugal, já em plena pandemia e por fim, a terceira, em um grupo de mulheres que sofreram agressões de seus maridos/namorados,etc. Embora já tivesse lido Lua de Papel – I, II e III – também de Lunna Guedes, na época de seus lançamentos, li novamente, da mesma forma on line para a mesma amiga. Receituário de uma espectadora, de Roseli Pedroso com suas crônicas deliciosas.
Devo confessar que foi uma das coisas que me ajudou a suportar o isolamento, durante todo o período mais crítico.

O que sol fez com as flores, de Rupir Kaur foi um sopro de vida:
“essa é a receita da vida
minha mãe disse
me abraçando enquanto eu chorava
pense nas flores que você planta
a cada ano no jardim
elas nos ensinam
que as pessoas
também murcham
caem
criam raiz
crescem
para florescer no final”

O tempo da violetas, de Sarah Jio, O Morro dos ventos uivantes, de Emily Bronte devorei em quase uma semana os dois livros. Li também Razão e Sensibilidade, de Jane Austen… Foram os mais marcantes.

Foram 48 livros lidos entre janeiro a dezembro de 2020. Não dá para enumerar cada um, mas confesso que foi acalentador no ano louco que vivemos… A leitura me salva… os livros me fizeram mais leves… Comecei o ano lendo Aos Sábados, de Lunna Guedes e há mais quatro deliciosos livros a minha espera. E você? Qual livro está lendo nesse momento?

Mariana Gouveia
Blogagem Coletiva
Scenarium Livros Artesanais

Ana Claúdia Soriano — Obdulio Nuñes Ortega — Roseli Pedroso Lunna Guedes

Entrevista com Mariana Gouveia

Quer ver minha entrevista? Vai lá no blog da Scenarium Livros Artesanais.

Scenarium

Mariana Gouveia, a mulher-menina-poeta-arteira-arteira… nasceu numa fazenda no interior de Goiás, das mãos de uma parteira que se chamava Florinda, mas todo mundo a conheciam por dona Fulô, no primeiro dia de julho de 1.965, era inverno, mas parecia primavera…
Ali, cresceu e viveu um conto de fadas entre sete irmãos. Mudou-se para o Mato Grosso por conta de uma doença de sua mãe – num dia qualquer de agosto. Precisamente dia 25. Era outono, mas não havia diferença entre os dias quentes de verão e veio descobrir bem depois que era assim o ano todo e em qualquer estação…
Desde pequena as palavras invadiram-na e ela escrevia em tudo que podia: papel de pão, de embrulho de qualquer coisa, guardanapos, chão. Cadernos eram luxos que só vez ou outra ganhava, e reservava-os para depositar sonhos, histórias e o dia a dia vivido.
Tornou-se radialista por vocação e isso me…

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Dos verbos indefinidos

Traçou a rota do dia. Mudou as rotinas todas. Pendurou a asa no varal. Havia previsão de chuvas. A lua era apenas um risco dentro da nuvem. Um menino de cabelo laranja mudou o dia. Às vezes, o destino improvisa as coisas e as horas têm cheiro de frutas. As distrações traziam vontade em outros idiomas. Um sábio mudou para o endereço além das estrelas, enquanto guerreiros mudam rituais no dia. A paz pode ser descrita em um poema, mesmo com uma guerra interna sendo travada na alma. A sorte do dia sendo decifrada em um jogo de memórias. O riso encerra o abraço com a vida. A ignorância das marés criando hábitos em um dia marítimo. A fortuna chegando na flor de laranjeira. O verbo mudando o fim da página. Os elementos da loucura sendo refúgio para as noites do nada e a verdade desbotada no boato do que o olho criou e a paisagem é essa janela onde o vento bate.



Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais
Scenarium Plural Editora
Encomende o seu exemplar
É só chamar (11)99241-5985

Tem a flor estampada no vestido…

o mês e seus dias de chuva atrapalham a visão da Lua. A rua de cima tem uma canção no repeat. Escrevo cartas pela metade. Folhas inteiras de frases inacabadas. A sensação de falta de ar no limite. O vento arrisca pela cortina e a solidão é esse emaranhado de ciclos repetitivos. A rua de cima tem dias de vazios nas árvores — cabia a brancura em qualquer canto — e as nuvens em espiral causando a plenitude do céu. Era uma vez, assim, a vontade de ser. Tem dia em que as histórias ficam sem o final.

Desvios para atravessar quintais.
Lançamento 28/11 em uma live via Facebook pela página da Scenarium. as 17 horas (horário de Brasília).
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A cidade de minha escrita

A cidade que escrevo em meu diário atravessa a rua de cima e me leva para além dos limites dela…

A minha escrita caminha por tantas cidades dentro de uma só e não só por ela. Mas dela, eu cito o sol que se põe… a lua mais brilhante e dos desvios sobre os quintais e seus telhados antigos.

Mais do que uma cidade, uma legião delas me inspiram… inclusive, até as que nunca visitei. Mas, quando o sol se propõe a oferecer um espetáculo diferente todos os dias.

“A minha rua tem uma cidade vazia… cheia de casas sem habitantes e com quadros ocos. De vez em quando, peregrinos com ideais de sonhos cruzam por ela. Atravessam seus muros e plantam nos quintais – chegam a abrir as portas e janelas – mas logo vão embora deixando as casas mais vazias ainda e as aves desabitadas penduradas em galhos secos de árvores sem cor. As estações acontecem dentro das horas do dia. A primavera se perde no calor imenso que queima tudo. A minha rua tem uma cidade em ruínas e essa solidão imensa sem você. Nos quintais a esperança foi moída e os mitos que cuidavam dos jardins se desmitificaram todos. A solidão da minha rua tem tatuagem da presença de alguém. Tatuagem desbotada, igual aos grafites feitos nos muros tortos da minha cidade. Tem a maresia rasgada em mil pedaços dentro da noite e tem a vitrola antiga a entoar fados só para registrar que o mar é logo ali, além da esquina.”

Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais.
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  as 17 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

O que eu escrevi em meu diário

No meu diário falei sobre os rumores dos dias dentro do que eu vivia ou imaginava. Muitas vezes, vesti a solidão das pessoas e escrevi:

“O homem da esquina contou sobre o pássaro solitário. Nunca havia motivo para voo, nem pouso. Falou que ele ficava ali, parado sem nenhum motivo aparente de alegria. E
que a missão dele era encaminhar aves sem rumo. Que a maçaneta da porta da casa azul foi ele quem fez. Que o pé de amoras foi plantado no quintal em um dia de chuva e que ele ficou ali, com o céu a derramar a água e o cheiro de terra molhada a invadir as janelas onde violetas brotavam… Que a água foi dando vida entre a raiz e a terra e que
naquele dia desejou o pássaro para ser parte da árvore que nascia, pois pássaros nascem para pousar em galhos, onde frutos oferecem o universo no sumo e não para pousar em fio, seco, sem vento, suporte ou sem algo para a fome. Desenhou para mim as palavras dentro do mesmo tempo — a ave e a árvore. Os dois. Entre o reencontro e a perfeição.
Que era assim que tinha sonhado e que passaria a vida inteira a ser ponte para asa e
pouso. Havia quem dizia que era doido — o homem — e que o sonho era tão maluco
quanto ele… Eu, apenas imaginava que não importava o que falassem dele porque
dentro dos olhos dele o céu criava jeito de espaço e morada para pássaros sem árvores.
E que das mãos dele, com instinto de cansaço ainda continuavam espalhando sementes
em dias de chuvas. Em cada dia ele repetia a história… com uma ave diferente, uma
árvore nova e seu quintal se juntava ao meu, em oração pelas aves sem árvores e ele
criava dentro de sua história, um motivo para viver.”

Mariana Gouveia
Desvios para atravessar quintais.
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  às 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

As quatro estações da minha escrita

Primavera

Foi sentada na varanda observando o quintal que prestei atenção nos desvios que os pássaros, borboletas e insetos faziam através do muro, em um lado transversal no céu. Parecia uma rota programada. Dali, senti os cheiros das flores, da grama cortada em alguma casa vizinha, do café na madrugada enquanto o sabiá laranjeira anunciava o dia nascendo. Passei pelas quatro estações dentro da minha escrita.

Verão

Escrever não precisa de explicações


Eu poderia detalhar cada mapa e cada imagem… cada planta e cada estação dentro do dia. O sol, esse companheiro que vem e faz sempre questão de mostrar que é verão todo tempo se acanha quando falo de chuva, de lua e vento. Os cães me espanta quando os vejo em pleno meio dia deitados no chão com as pernas abertas como se assim absorvessem a energia emanada dele.

Escrever um diário é entrega de alma e foi isso que fiz. Em delicadas porções fui me dando dentro da leveza das folhas que o vento carregava no quintal. Não posso dizer que ousei. Acho que escrevi cartas e não enviei. Um dia, às vezes, tão igual ao outro e tão diferente dentro de mim.

Inverno

E foi assim que dentro de minha escrita as estações vieram morar. Talvez eu te diga que a primavera é a estação que me encanta… Quem sabe, na rota entre os desvios você se encontre no verão ou prefira a sensação boa de inverno… mas eu entendi que eu moro no outono de mim… Isso me leva à minha infância onde o campo semeado quase pronto para a colheita dourava as manhãs… aquela cor, nunca mais saiu de minha memória. Aquela cor desenhou a bússola que olhei e tracei as palavras dentro de minha escrita.

Mariana Gouveia
O lançamento será dia 28/11/2020, em uma live via Facebook pela página da Scenarium.  as 16 horas (horário de Brasília). E você já pode adquirir seu exemplar na pré venda. Basta clicar aqui ou aqui

Os livros de Mariana Gouveia,

e eu fico como? Gritei!!!

Scenarium

A primeira vez que a busquei no aeroporto foi em um agosto-outro. O ano já me escapa porque eu não sou boa com marcações. Mas, eu me lembro da chegada. O abraço… e depois vieram outras chegadas e partidas. De nós duas na cozinha, eu com a mão na massa e o olhar surpreso de Mariana Gouveia com o tamanho do pão — feito em pleno inverno paulistano. A frase dita em voz alta por ela ainda ressoa em mim.
Conversamos sobre tudo e nada… ela do outro lado da mesa e eu ali, a costurar os livros, finalizando-os na véspera do lançamento.
Mariana foi uma das primeiras pessoas a aceitar o meu convite para essa aventura plural mas, antes da Scenarium já havia uma mistura de sentimentos. Nossas vidas se entrelaçam, se misturam e se confundem em tempo-espaço, como se fizéssemos parte de um mesmo cenário. Sempre que faço…

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Corredores, codinome: loucura. (Mariana Gouveia)

Uma das coisas mais lindas que escreveram sobre mim!

Devaneios e Poesias

Corredores, codinome: Loucura foi o primeiro livro do Clube do Livro da Editora Scenarium livros artesanais. Para quem não conhece, a Editora Scenarium trabalha com livros costurados artesanalmente – São livros únicos, verdadeiras obras de arte com conteúdo selecionado para que o leitor desfrute o melhor da sensação de ter um livro nas mãos – Recomendo fortemente que 1) não deixem de conhecer a editora e participar do clube do livro e 2) considerem ler com uma boa xícara de chá por perto!

Vou começar dizendo o que Corredores não é: Corredores não é um livro de fantasia. Corredores não é um livro para leitura rasa. Corredores, codinome: Loucura não é um livro para ler e esquecer. Pelo contrário: É um livro para se pensar, refletir, chorar. É uma leitura que dói, corrói a alma. É uma leitura real.

            Sou uma grande admiradora do trabalho da Mariana Gouveia –…

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