Mariana Gouveia

Meus livros, pela Scenarium Livros Artesanais.

Scenarium

Nasci numa fazenda no interior de Goiás, das mãos de uma parteira que se chamava Florinda, mas que todo mundo a conheciam por dona Fulô, no primeiro dia de julho de 1.965. Era inverno, mas parecia primavera… Ali, cresci e vivi um conto de fadas entre sete irmãos. Mudei para Mato Grosso por conta de uma doença de minha mãe, num dia qualquer de agosto. Precisamente dia 25. Era outono, mas não havia diferença entre os dias quentes de verão e vim descobrir bem depois que era assim o ano todo e em qualquer estação… Desde pequena as palavras me invadiram e escrevia em tudo que podia. Papel de pão, papel de embrulho de qualquer coisa, guardanapos, chão. Cadernos eram luxos que só vez ou outra ganhava, e reservava eles para depositar sonhos, história e o dia a dia vivido. Tornei-me radialista por vocação e isso me dava a liberdade…

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E a loucura será feita de abraços…

Te decorei
para te rezar
todas as noites do meu dia.


Alessandra Siedschlag

Amada Maria,

Saberão os dias em que os corredores serão feitos de risos e que a loucura será apenas dos apertos de abraços.

Haverá os dias em que os espelhos serão apenas partes de relacionamentos e não cacos quebrados jogados no lixo, à medida que a sorte rouba as digitais dos humanos e eu folheio as fotografias na memória como quem rouba dados.

Tudo é esse grito na garganta, preso.

Mesmo que o calendário seja essa rotina de todo dia e você nem saiba seu nome. A loucura é essa improvisação no modo de ser. E é também essa coisa de ave abrir a asa e voar… não conheço outro modo que não seja essa grade.

Não conheço outro canto que não seja o dos anus pretos. Nunca tive nada desarrumado, porque nunca tive nada meu. A colher que me cabia tinha o cabo torto e alguém se apoderou dela e fiquei a ver a cor do cabo a ser servido duas cadeiras além da minha.

A colina, é essa ponta de verde musgo que meus olhos alcançam e de onde chegou a notícia de que alguém morrera na mata da rua do meio.

Mariana Gouveia
Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

Carta a você que me lê…

Querido leitor,

Talvez, a melhor forma de agradecer a você que me lê nesse dia mundial do livro é te escrevendo uma carta. Escrever para mim é desnudar a alma e fazer com que a minha emoção toque a sua.

Claro que desde menina eu sempre quis que minhas palavras atravessassem os campos da fazenda onde nasci e encontrassem amparo em algum olhar, em alguma mão. Uma das maneiras que criei para escrever foram as cartas. Menina ainda, através do rádio, minhas palavras ganhavam cidades, estados e diferentes lugares dentro de envelopes e muitas dessas cartas me trouxeram como respostas amigos do coração.

Nesse meio tempo me tornei artesã, mãe, esposa, radialista e a escritora esperava uma oportunidade que surgiu quando conheci Lunna Guedes. O destino me ligou a ela através de blogs e do selo artesanal criado por Lunna e Marco Antônio: Scenarium Livros Artesanais… o encanto pelo trabalho artesanato que Lunna tão lindamente faz falou mais forte e em 2015 meu primeiro livro de poesias foi costurado em fitas de cetim com o selo artesanal da Scenarium e O Lado de Dentro ganhou forma no papel… já na terceira edição.

O lado de dentro — a poesia de Mariana Gouveia viaja no tempo e espaço, e nos põe sentados a mesa do café,  para divagarmos sobre lugares imaginários onde o vento leva arrepio a pele onde os sentimentos todos se amontoam e são como pétalas na primavera, e são como folhas no outono, e são também verão e inverno.

No ano seguinte, veio o convite para que participasse do Projeto Diário das Quatro Estações. Um projeto inspirado em diário e escrevi Cadeados Abertos e não paramos mais.

Cadeados Abertos — é uma espécie de caixa de costuras que toda casa antiga tinha, com carretéis de linhas, agulhas, dedais e retalhos de tecidos… caixas com botões coloridos e uma tesourinha para cortar o fio. Cada item impulsiona uma lembrança — vivências singulares que nos toma pela mão e conduz aos caminhos do coração da autora.

Participei de alguns projetos coletivos da editora como Sete Pecados, Coletivo, Feliz Ano Velho, Sete Luas e outros, além das edições da Revista Plural com textos e em sua maioria, cartas.

Meu primeiro romance Corredores, codinome: Loucura foi lançado em 2018 e decidimos que ele não caberia em um livro só…Dividimos em dois livros e Portas Abertas, codinome: Lucidez foi lançado em 2019.

Corredores, codinome: loucura — é um romance que nos coloca diante da pergunta: é possível duvidar da própria lucidez? Maria é trancada num hospício pela própria mãe, que promete voltar para buscá-la depois que estiver curada. Entregue aos cuidados de Mathilda — uma mulher que não enxerga pessoas, apenas números numa folha mapeados pela condição determinada por ela e, assegurada pelo Estado que só quer se livrar de seus “doentes”.
A jovem Maria percorre os corredores de sua nova-casa em meio a abusos e punições severas, tentando preservar qualquer coisa de lucidez.

Portas Abertas: codinome lucidez — Maria deixou o hospício com a ajuda do Doutor Arthur… mas, quando se deixa a escuridão, é necessário se acostumar a luz. Leva tempo e não é nada fácil identificar o que sobreviveu após tanto tempo vivendo entre loucos e, de repente, ter sua lucidez reconhecida…

E novamente, o projeto Diário das Quatro Estações me envolveu e surge Desvios para atravessar quintais. Lançado em 2020, em plena pandemia, e talvez, por isso, um sopro na alma dentro dos dias ruins.

Desvios para atravessar quintais… O Diário das Quatro Estações é sobre os dias aleatórios que avançam dentro do tempo e é feito da palavra que cabe no papel antes que sufoque o peito; é o retrato dos meses que ficam na memória das horas e no mapa feito dentro dos muros e para atravessar os quintais usei os desvios traçados no mapa que o coração costurava e mesmo quando desenhava asas na areia sentia que o pássaro voava e que possuía o céu inteiro .

Meus livros são artesanais. Costurados um a um, em costura japonesa pelas mãos da Lunna. O livro artesanal só é costurado quando você o encomenda. Portanto, cada exemplar é único em seu preparo. As histórias, as poesias, os poemas e até mesmo as cartas quando te alcançam já nos emocionaram bastante. Desde a escolha do papel, da capa e da maneira que fazemos chegar até você, mesmo que você não tenha o livro – ainda – mas lê em alguma das minhas redes sociais ou da editora algum pedaço de texto, poema, ou citações.

Há mais coisas na caixinha vindo aí… projetos feitos para te tocar e te emocionar. Espero que até lá esse laço se fortaleça ainda mais.

Por isso, te agradeço e te envolvo no meu carinho.

Abraço carinhoso

Mariana Gouveia

Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Mariana Gouveia – Obdulio Ortega Roseli Pedroso

Portas Abertas: Codinome Lucidez. Uma resenha.

Por Marcos de Farias

Conheci Mariana Gouveia num entremez, no hiato entre um e outro ato da ópera. Aconteceu quando me deu na telha começar a registrar o meu tédio na rede, ocasião em que pari um blogue. Bem, na verdade verdadinha veraz não conheci realmente à Mariana, somente à distância, enquanto lia seus escritos, de modo assim fantasmal, internético.
Mariana, a Gouveia, desde o começo gostei de pensar nela assim, cerimoniosamente, como se me dirigisse a uma castelã. Dona Mariana, dos Gouveias. De Goiás e Mato Grosso adentro.
Falava do que mesmo? Já se me esqueço. Não, relembro, quero escrever sobre. Homessa, nunca termino um período!
Bem, PORTAS ABERTAS: CODINOME LUCIDEZ, livro de Mariana Gouveia, que escreverei deste jeitinho, com as maiúsculas nos lugares errados, sapecando um itálico se o editor de texto suportar. Uma resenha, minha ambição. Mas queria muito mais, queria que não fosse a resenha laudatória habitual. Queria, quero mesmo, que seja uma conversa aqui do lado de fora sobre o que ocorreu no lado de dentro. Que seja este um texto que soe como um assobio despretensioso.
De Mariana, primeiro, conheci seu estro. Uma escrita sedosa, no seu blogue O OUTRO LADO (PORQUE O LADO MELHOR É O DE DENTRO). Depois os livros, como este Portas Abertas, com páginas atadas por fitas.
Portas Abertas é um daqueles livros na linha da declaração atribuída a Clarice Lispector, “gênero não me pega mais”. Não é confessional, mas é. Não há o narrador onisciente clássico. Mas é como se houvesse e a quem eu chamaria de comedido. Há fluxo de consciência, também comedido, quase a medo de ser desrespeitoso, toca aqui e toca ali, mas nunca se aprofunda. Há fluxo, mas o que informa, o que se nos dá a perceber são as pequenas coisas. Um teto, uma boneca, uma janela, um sofrimento, uma fotografia.
Um monólogo da personagem, Maria, um livro-razão de sentimentos. Liberta do manicômio, mas com ele dentro de si, se reconstruindo com as peças que tem à mão. Refazendo-se com pequenezas diversas, agregando silêncios.
Os americanos chamam de “Revelatory Plot” ao texto literário que aparentemente prescinde do enredo. “Kishōtenketsu” é o termo japonês para uma estrutura que não atende aos padrões ocidentais da escrita definida por suas tensões. Quem leu Yukio Mishima irá entender. Existe um centro, um fulcro e dele a escrita se irradia e, portanto, não começa e nem finda, mesmo quando há morte, mesmo quando se propõem finais. Assim também o “Portas” de Mariana, simples até a medula, como se toda a coisa pudesse ser reduzida a um momento íntimo, a um ato banal se irradiando em teia, como um cobertor definindo relevos.
Falei de Mishima e me vem à mente um seu conto no qual o motivo condutor é uma garrafa térmica que ao ser aberta produz um som que assusta a uma criança e partir disto levamos um tempo enorme de leitura para perceber que trata da história de um pai, exilado em um país estrangeiro onde encontra uma amante do passado. Ou uma frívola concubina imperial que corrompe um homem santo e no processo alcança a iluminação.
Aparentemente sem ponto de ancoragem, “Portas Abertas”. Só a voz de Maria e o enredo dos dias.
Portas Abertas: codinome lucidez é um livro que tem primeira página, depois outras e mais outras.
E, se você o encomendar, virá atado em fitas (uma ideia linda, um achado da editora, a Scenarium) e necessariamente você cogitará que alguém o montou, assim, despretensiosamente, com fitas unindo papéis diversos.
Acho que é tudo o que eu tinha a dizer sobre o livro e sobre Maria e sobre Mariana, a Gouveia, de Goiás e Mato Grosso adentro.

Corredores, codinome: loucura. (Mariana Gouveia)

Uma das coisas mais lindas que escreveram sobre mim!

Devaneios e Poesias

Corredores, codinome: Loucura foi o primeiro livro do Clube do Livro da Editora Scenarium livros artesanais. Para quem não conhece, a Editora Scenarium trabalha com livros costurados artesanalmente – São livros únicos, verdadeiras obras de arte com conteúdo selecionado para que o leitor desfrute o melhor da sensação de ter um livro nas mãos – Recomendo fortemente que 1) não deixem de conhecer a editora e participar do clube do livro e 2) considerem ler com uma boa xícara de chá por perto!

Vou começar dizendo o que Corredores não é: Corredores não é um livro de fantasia. Corredores não é um livro para leitura rasa. Corredores, codinome: Loucura não é um livro para ler e esquecer. Pelo contrário: É um livro para se pensar, refletir, chorar. É uma leitura que dói, corrói a alma. É uma leitura real.

            Sou uma grande admiradora do trabalho da Mariana Gouveia –…

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Clube do livro (scenarium)

Em nosso primeiro encontro (on-line) no dia 02 de novembro (segunda-feira) às 20h… vamos conversar sobre o meu romance Corredores, codinome loucura.
Como as participações serão limitadas, vá no post principal da Scenarium Plural e se inscreva e se você ainda não tem meu livro, aproveite que está com 50% de desconto! Isso mesmo: 50% de desconto!
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Scenarium

Em nosso primeiro encontro (on-line) no dia 02 de novembro (segunda-feira) às 20h… vamos conversar sobre o romance Corredores, codinome loucura de Mariana Gouveia.

São apenas 15 vagas… e para quem ainda não tem o livro, aproveita que tem 50% de desconto para os participantes do clube do livro.

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