sobre mim

“…e parecia uma menina cheia de fé em tudo aquilo que suspeitava real, embora invisível.”
[Caio Fernando Abreu]

Mariana Gouveia é autora do livro de poesias “o lado de dentro” e dos romances Corredores – codinome loucura e Portas Abertas – codinome lucidez. Participou do Coletivo 2017 Sete Luas. Escreve para a Plural, revista literária artesanal da Scenarium.
Nasci numa fazenda no interior de Goiás, das mãos de uma parteira que se chamava Florinda, mas que todo mundo a conheciam por dona Fulô, no primeiro dia de julho de 1.965. Era inverno, mas parecia primavera… Ali, cresci e vivi um conto de fadas entre sete irmãos. Mudei para Mato Grosso por conta de uma doença de minha mãe, num dia qualquer de agosto. Precisamente dia 25. Era outono, mas não havia diferença entre os dias quentes de verão e vim descobrir bem depois que era assim o ano todo e em qualquer estação… Desde pequena as palavras me invadiram e escrevia em tudo que podia. Papel de pão, papel de embrulho de qualquer coisa, guardanapos, chão. Cadernos eram luxos que só vez ou outra ganhava, e reservava eles para depositar sonhos, história e o dia a dia vivido. Tornei-me radialista por vocação e isso me dava a liberdade de espalhar as palavras que eu escrevia nas ondas do rádio. Sonhadora. Adoro as noites de lua, borboletas, joaninhas, libélulas e fotografias – não necessariamente nessa ordem – artesã de alma e de paixão.
Amo o rádio. Aproveito eu lírico e enfeito o papel com os sonhos – os realizados e os que ainda vou realizar. Apaixonada, dedicada e toda coração. Essa sou eu…

37 comentários em “sobre mim

  1. Eu tenho, vamos dizer dizer, um método. No dizer de Guimarães Rosa lá no Grande Sertão, eu sou “genista”. E meu método é assim, meio disperso, meio bobo, mas funciona. Eu estou agora a braços com um trabalho por entregar, numa área bem exigente. Então, eu meio que saio do que estou fazendo e vou dar uma espiada nos que outros estão fazendo ou fizeram ou pretendem fazer. Volto renovado. Neste momentim momentoso do agorim agora mesmo estou vos lendo. O método, já disse que tenho um método? Pois é, o método. Leio-vos. São 18h48min.

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    1. Que bom, moço voador! A fotografia da capa é de Lunna Guedes, minha editora. Eu até tinha a capa prontinha para o segundo livro, do próprio lugar onde ocorreu a história, mas perdi tudo em um pc que estourou. A casa fica na região de Perdizes, se não me engano.

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  2. E veja o que é a vida. Logo que comprei teu livro, por indicação de um amigo em vias de uma pós em psicanálise (que estou considerando com cuidados mil), paralelamente, comecei a ler “Pânico e Desamparo”, uma tese de doutorado sobre a angústia. O mundo é um moinho já dizia o psicanalista Cartola.

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    1. Fiquei curiosa em saber qual amigo indicou… coisa de Gouveia, a Mariana. Uma canceriana curiosa. Portas Abertas é o livro II. Corredores é o livro I.
      Fiquei muito honrada pela sua leitura.
      Um abraço carinhoso

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      1. Ah, a gente é tão simplão aqui. Veja a senhora, conheci este meu amigo por conta de outro amigo dileto que vive em pecado com uma nossa irmã que se tornou amicíssima de minha mulher (prefiro mulher mas tolero esposa). De modos que descobri este amigo, que é sociólogo por formação, a caminho de uma pós em filosofia e tentado a outra em psicanálise e também, mas este mundo é um moinho, treinador de meu cão. Aliás, um cão du bem. Correto e sincero. Entendeu? Se entendeu, a senhora me explica? Pufavô.?

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  3. Não, o meu amigo não me indicou seu livro. Ele me indicou e eu comprei o livro Pânico e Desamparo via internet. Eu já encomendado o seu livro à editora. O que aconteceu é que o seu livro chegou primeiro e dia exato em terminei a leitura, o “Pânico e Desamparo” também chegou. A coincidência é que este é um livro que trata da angústia e das psicopatologias associadas a ela. Bem, me deu a impressão que era como que comentário sobre a personagem de seu Portas Abertas. Ou o contrário, Portas Abertas como ilustração das teses do livro. Mas, apesar de meu amigo indicar o “Pânico” e não o Portas Abertas, conversamos bastante nos dias seguintes sobre seu livro. Ouvindo minha descrição, meu amigo comentou que daria um bom “case” para um trabalho acadêmico. Permita-me destacar um trecho de seu livro, página 62, que talvez explane o escrito acima: “Da minha janela, às vezes, vejo uma espécie muito rara de angústia. TEM CORES-SENTIMENTOS E UMA FORMA INCOMUM DE MEDO”.Finalmente, meu amigo atende por Geraldo Donizeti Ramos, é sociólogo por formação, leitor de tarô (um defeito que também compartilho) que não acredita em tarô (eu também) e largou tudo para ser adestrador de cães. Inclusive do meu, um pastor belga malinois que late em francês chamado Miguel.

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    1. E você curtiu, ora veja. Vossa mercê, você, caríssima é poeta e escritora às direitas. Prometo, se o mundo voltar ao normal e estivermos ainda em pé e se você vier a São Paulo para uma noite de autógrafos, prometo que estarei lá. Você vai me reconhecer fácil: um cidadão de cãs e barbas grisalhas e cara de tonto. Abraços mil para ti.

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      1. Eu vou adorar, moço! Há dois livros em andamento. Um, sobre Mathilde – a cuidadora do hospício de Corredores… Mais eu não digo. Será uma honra te receber num abraço carinhoso 😘

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  4. Agora eu entendi… Desvios para atravessar quintais é a fuga que tracei para não enlouquecer nesses dias ruins. É um diário que tracei dentro das estações. Ali, sou eu, a Mariana, mãe de borboletas
    Acho que vocêA vai gostar…

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    1. Vos confesso (sou um confessador profissional) que o que me atraiu mesmo, nos primeiramente começantes, foi o título: “Desvios Para Atravessar Quintais”. Dá uma ideia de quintal não somente como espaço, mas como um recanto secreto, um universo paralelo no qual você entra por uma passagem também secreta. Como nas lendas celtas do mundo-das-fadas, a Terra do Crepúsculo, as Ilhas-Bem-Aventuradas. Lá você entra através dos lugares mais comuns, mais subestimados. E lá, você sabe, o tempo corre de maneira diferente. Modos que se um dia você sair, se passaram, das veis, centenas de anos se passaram. Você deveria (acho eu) considerar escrever romances para crianças e adolescentes. Minha opinião, não precisa concordar. Abraço.

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      1. Olha só! Adorei a ideia!
        O título do livro é bem isso que você falou. Usei os mesmos desvios que as borboletas fazem, atravessando os muros para sonhar, viajar… Fluir…

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      1. Pois bem, segue aí minha resenha sobre o seu Portas Abertas: Codinome Lucidez. Faça com ele o que bem entender. Um abraço.

        PORTAS ABERTAS: CODINOME LUCIDEZ. UMA RESENHA.

        Conheci Mariana Gouveia num entremez, no hiato entre um e outro ato da ópera. Aconteceu quando me deu na telha começar a registrar o meu tédio na rede, ocasião em que pari um blogue. Bem, na verdade verdadinha veraz não conheci realmente à Mariana, somente à distância, enquanto lia seus escritos, de modo assim fantasmal, internético.
        Mariana, a Gouveia, desde o começo gostei de pensar nela assim, cerimoniosamente, como se me dirigisse a uma castelã. Dona Mariana, dos Gouveias. De Goiás e Mato Grosso adentro.
        Falava do que mesmo? Já se me esqueço. Não, relembro, quero escrever sobre. Homessa, nunca termino um período!
        Bem, PORTAS ABERTAS: CODINOME LUCIDEZ, livro de Mariana Gouveia, que escreverei deste jeitinho, com as maiúsculas nos lugares errados, sapecando um itálico se o editor de texto suportar. Uma resenha, minha ambição. Mas queria muito mais, queria que não fosse a resenha laudatória habitual. Queria, quero mesmo, que seja uma conversa aqui do lado de fora sobre o que ocorreu no lado de dentro. Que seja este um texto que soe como um assobio despretensioso.
        De Mariana, primeiro, conheci seu estro. Uma escrita sedosa, no seu blogue O OUTRO LADO (PORQUE O LADO MELHOR É O DE DENTRO). Depois os livros, como este Portas Abertas, com páginas atadas por fitas.
        Portas Abertas é um daqueles livros na linha da declaração atribuída a Clarice Lispector, “gênero não me pega mais”. Não é confessional, mas é. Há o narrador onisciente clássico, a quem eu chamaria de comedido. Há fluxo de consciência, também comedido, quase a medo de ser desrespeitoso, toca aqui e toca ali, mas nunca se aprofunda. Há fluxo, mas o que informa, o que se nos dá a perceber são as pequenas coisas. Um teto, uma boneca, uma janela, um sofrimento, uma fotografia.
        Um monólogo da personagem, Maria, um livro-razão de sentimentos. Liberta do manicômio, mas com ele dentro de si, se reconstruindo com as peças que tem à mão. Refazendo-se com pequenezas diversas, agregando silêncios.
        Os americanos chamam de “Revelatory Plot” ao texto literário que aparentemente prescinde do enredo. “Kishōtenketsu” é o termo japonês para uma estrutura que não atende aos padrões ocidentais da escrita definida por suas tensões. Quem leu Yukio Mishima irá entender. Existe um centro, um fulcro e dele a escrita se irradia e, portanto, não começa e nem finda, mesmo quando há morte, mesmo quando se propõem finais. Assim também o “Portas” de Mariana, simples até a medula, como se toda a coisa pudesse ser reduzida a um momento íntimo, a um ato banal se irradiando em teia, como um cobertor definindo relevos.
        Falei de Mishima e me vem à mente um seu conto no qual o motivo condutor é uma garrafa térmica que ao ser aberta produz um som que assusta a uma criança e partir disto levamos um tempo enorme de leitura para perceber que trata da história de um pai, exilado em um país estrangeiro onde encontra uma amante do passado. Ou uma frívola concubina imperial que corrompe um homem santo e no processo alcança a iluminação.
        Aparentemente sem ponto de ancoragem, “Portas Abertas”. Só a voz de Maria e o enredo dos dias.
        Portas Abertas: codinome lucidez é um livro que tem primeira página, depois outras e mais outras.
        E, se você o encomendar, virá atado em fitas (uma ideia linda, um achado da editora, a Scenarium) e necessariamente você cogitará que alguém o montou, assim, despretensiosamente, com fitas unindo papéis diversos.
        Acho que é tudo o que eu tinha a dizer sobre o livro e sobre Maria e sobre Mariana, a Gouveia, de Goiás e Mato Grosso adentro.

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  5. “Não se pode explicar alguma coisa meramente lhe dando um nome.“ — Yukio Mishima

    Agradeço imensamente, meu amigo! Suas palavras me enche de alegria! Vou ficar aqui bebendo suas palavras como se fosse um delicioso café, Grata!

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  6. Notei uma omissão minha no texto: “Há o narrador onisciente clássico, a quem eu chamaria de comedido”. Deveria ser: “Não há o narrador onisciente clássico. Mas é como se houvesse e a quem eu chamaria de comedido”. Vergonha. Minhas faces estão rubras pela vergonha vergonhenta. Culpe a pressa. Abraços.

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