Inventou a si mesma
no pretérito imperfeito
cada vez que tocava
sem jeito seu corpo
via as palavras
da mãe, da irmã
o pecado em palavra,
dedo em riste
o incômodo das que eram submissas
– nunca quis isso para si –
sabia que cabia dentro dela
as promessas de prazer
como se fosse dia de chuva
Sabia-se única
e ainda assim sentia
um abismo de sujeições.
Um céu fotografado em dia de sol
tal qual nuvem dissolvida
em várias formas
com o carimbo da ancestralidade
na pele
um marco geodésico das outras
de sua linhagem, o sangue –
feito nuvem vermelha
em dia intenso.
Mariana Gouveia
Coletivo de Poesias Mulher de Nuvem
Scenarium Livros Artesanais

Muito bom. Parabéns!
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Grata!
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