Da voz de uma menina, da minha e da sua voz.
Mariele,
fiquei buscando na memória a cronologia do tempo depois de sua morte e já contamos hoje seis anos. Você ganhou nome de rua, de alameda, de avenida, de ala, de sala e seu rosto estampa coisas mundo afora – desde painéis, camisetas, grafites e uma pergunta ecoa: quem mandou te matar?
Sabe, devo te dizer que sua voz ainda ecoa nesse Brasil de injustiças e nesses anos sem respostas. E claro que nada te trará de volta. E vi no dia 8 de março agora, uma menina com um turbante na cabeça e dizia, na praça central da minha cidade que ela era uma Mariele e com o microfone da mão, disse que te levaria junto com ela onde quer que fosse.
Aquela menina disse que sua morte não seria em vão. Que ela ainda queria viver muito para te levar por aí, dentro do peito, na voz – ainda quase de adolescente – e enquanto eu seguia rua afora fiquei pensando o quanto você alcançou mesmo depois de sua morte.
É possível que aquela menina nunca havia ouvido falar sobre você antes de te matarem… e ela estava ali, simbolicamente como mulher se vestindo de seus feitos e gritando a impunidade para os que tiraram sua voz. Ela e tantas outras meninas-jovens-mulheres falarão por você mundo afora.
Infelizmente, Marielle, a máxima de que nossa justiça é cega se confirma com esses seis anos de perguntas sem respostas. Quem mandou te matar e porquê? A quem interessava calar sua voz de forma tão brutal? E quem ganhou com isso?
Hoje, essa data se tornou o símbolo de injustiça e é por isso que cada vez mais vamos nos juntar à voz de tantas meninas que se inspiram em você para dizer que você vive nas vozes de tantas mulheres que não te deixarão em silêncio. Falaremos por você sempre!
Mariana Gouveia

Justiça sendo feita!
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Sim! Aguardemos os próximos capítulos.
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