Das palavras das cartas

Beda – Das cartas que recebi

Mari,
Escrevo para responder as palavras que me mandaram – suas e as de seu pai – estava no metrô quando sua carta chegou. Sorte estar sentada, daí pude ler com calma. Sabe, Mari, há coisas nessa vida que é preciso estar em paz para se aproveitar como se deve: comer é uma. Tem que ser sentada e sem frio e sem vontade de fazer xixi. Outra, é ler. Por muito tempo meu tempo de ler era no banco do ônibus (e como chacoalham os circulares!). Às vezes penso que, em parte, enxergar tão pouco é devido esse gasto de leitura em ônibus ou nos trens de subúrbio. Bem, estou respondendo hoje. Agosto passado, te respondi do pátio da escola… Era um lugar que adorava! Vestia uma bata xadrez e tinha uma cigarra pousada na mão. Do pátio se via a cidadezinha iluminada embaixo de uma lona esburacada de estrelas. Fazia calor, apesar de agosto à noite. Hoje faz frio e não estou no pátio. Muitas coisas aconteceram de lá para cá, inclusive a passagem do Teté. Sinto falta dele e ler os conselhos de seu pai me deram alento. É preciso falar do que se sofre ou se alegra, por isso escrever e fazer terapia é tão bom. Falo com você na minha cabeça e tenho fotografias que querem dizer isso ou aquilo. Sei de cada imagem que fotografo e para quem são… É minha comunicação secreta.
Fazer bolo é também dizer que amo muito. Se chego a fazer um bolo para alguém, é sinal de amor. Há lugares também que consagro aos que amo. A biblioteca Mário de Andrade é sua, faço vênia antes de entrar, assim como faço nos teatros e nas agências dos correios.
Fui a São Paulo te conhecer de verdade, porque para mim era coisa de livro. Contei isso pro chauffeur depois. Era um moço japonês de nome Sérgio, que me deixou perto da Sé, na despedida disse que queria ter amigas como nós.
Subi as escadas do prédio antigo que abrigava um partido e fiquei olhando a cidade, é um ritual meu. É preciso ter rituais quando se tem uma janela em cima de uma cidade para se pensar na sorte que se tem e a bendita da paz para aproveitar os instantes que nos dão.
Naquela noite, antes de todo mundo chegar, agradeci por ter te conhecido de verdade.
Amo vocês.


Luciane Recieri
Agosto é o mês de receber cartas e de Beda
Participam junto comigo:
Lunna Guedes – Obdúlio Nunes Ortega – Darlene Regina – Mãe Literatura – 
Suzana Martins – Roseli Pedroso
Fotografia de Luciane Recieri

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8 comentários em “Beda – Das cartas que recebi

  1. Precioso texto. Yo también disfruto con muchas cosas de las tú disfrutas: Las bibliotecas, escribir, mirar por la ventana. Siempre es bueno tener un refugio para las horas difíciles , y también para las horas felices. Un abrazo, amiga.

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