InspirAção · Mariana Gouveia

A poesia é algo que acontece na alma quando uma palavra faz o corpo tremer.

Eu devia ter uns sete anos quando me apaixonei pelas cores grená, verde e branco. Na verdade, eu nem sabia quais eram os tons que o narrador do rádio traduzia nas palavras. Mas, o que eu sabia era que amava o som da torcida que ecoava o hino e fazia acontecer em mim a emoção.

O velho motor rádio do meu pai dava lugar e voz para Valdir Amaral e Jorge Cury nas narrações do tricolor da Laranjeiras e foi ali, pelas ondas do rádio que o Fluminense ganhou meu coração. Eu queria muito saber o tom que tinha as cores que o narrador contava. Mas, minha cartilha só ensinava as cores básicas e conhecidas na tabela de cores.

Eu sabia o nome de Wado, Telê e outros, e até as cores verde e branco, porém, o grená atiçava minha curiosidade até o dia em que em uma revista Placar, que chegou entre os livros que ganhei deu cor e mais amor ainda ao meu time. E eu que já amava aquela camisa tricolor, e só a conhecia pela descrição dos locutores de rádio, mesmo sem saber a cor passei a entoar o hino com mais emoção.

Comemorei muitos títulos, chorei várias derrotas, vibrei com tantos jogadores e mesmo tão longe, mesmo sabendo que ninguém do time sabia sobre mim, eu sentia que minha torcida se juntava à todas aquelas vozes que o rádio trazia até onde eu estava. Domingo era dia de jogo e o rádio, a ponte que me ligava ao Fluminense.

Se a poesia é algo que acontece na alma quando uma palavra faz o corpo tremer e a poesia acontece em mim de várias maneiras, mas quando o time entra em campo e o hino ecoa meu corpo ganha o poder de torcedora.

Nunca tive uma camisa do meu time. Sempre que havia um plano de comprar surgia algum imprevisto ou alguma urgência e a camisa ficava em segundo plano, embora meu amor pelo clube, não. Esse é ecoado em verso, como se fosse uma oração.

Hoje, resolvi escrever esse texto, porque semana que vem o meu time vai jogar aqui, na minha cidade. Tão perto e a emoção já toma conta de mim. Sou apaixonada pelo Fluminense desde quando nem entendia de futebol. Por que acho que torcer para o clube é algo que vai além de quem ou para quem você deseja torcer. Você já nasce sendo.

Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O fluminense me domina
Eu tenho amor ao tricolor!

Salve o querido pavilhão
Das três cores que traduzem tradição
A paz, a esperança e o vigor
Unido e forte pelo esporte
Eu sou é tricolor!

Vence o fluminense
Com o verde da esperança
Pois quem espera sempre alcança
Clube que orgulha o Brasil
Retumbante de glórias e vitórias mil!

Sou tricolor de coração
Sou do clube tantas vezes campeão
Fascina pela sua disciplina
O fluminense me domina
Eu tenho amor ao tricolor!

Salve o querido pavilhão

Das três cores que traduzem tradição
A paz, a esperança e o vigor
Unido e forte pelo esporte
Eu sou é tricolor!

Vence o fluminense
Com sangue do encarnado
Com amor e com vigor
Faz a torcida querida
Vibrar com a emoção do tricampeão!

Vence o fluminense
Usando a fidalguia
Branco é paz e harmonia
Brilha com o sol da manhã
Qual luz de um refletor
Salve o tricolor!

Mariana Gouveia
Fotografia: Pinterest

4 comentários em “A poesia é algo que acontece na alma quando uma palavra faz o corpo tremer.

  1. Você me fez lembrar quando eu ganhei uma camisa do time da Juve, la vecchia signora. Eu tinha sete anos e amei as cores, as listas e o escudo. Nada entendia de futebol, assim como você. Depois, eu vi o jogo do mundial e nem sabia que time era o São Paulo. Mas que futebol, que toque de bola. Aprendi a escalação e passei a acompanhar o time a distancia.
    Eu estava nas ruas de São Paulo em 2005 quando a equipe voltou do Japão-campeã e tinha uma mar tricolor nas ruas. Os jogadores estavam em cima do caminhão do corpo de bombeiro.
    Enfim, hoje já não gosto mais tanto de futebol como antes.
    Nem São Paulo e nem Juve me encantam mais. rs

    Curtido por 1 pessoa

    1. Eu torço para o São Paulo – com exceção de quando joga quando o Flu. Acordava de madrugada, quando o mundial ainda se passava no Japão e o fuso horário aqui se dava em plena meia noite.
      Amava Raí, Telê – com toda alusão ao meu Flu – e companhia. Também torci para o Grêmio, talvez, a palavra tricolor me fazia sentir um pouco torcedora também…
      hoje, tenho algumas ressalvas com o Grêmio…ah, e amo a Juve! Aprendi a torcer para ela quando a Bandeirantes passava o campeonato italiano. Acho que voltou a passar de novo…
      La vecchia signora ganhou meu coração.

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