Uma porta que se abre em outro lugar.

Nasci e cresci em uma fazenda no interior de Goiás, das mãos de uma parteira que se chamava Flor e que se tornou minha meio fada, meio bruxa, meio flor, que era a maneira que eu a via.

Nessa fazenda havia uma mata próxima do rio, caudaloso, piscoso e de águas límpidas. A mata, quase bosque, era uma porta que se abre para outro lugar. Sob os cuidados e olhos dessa mulher eu cresci no meio de sete irmãos e dezenas de meninos e meninas das redondezas.

No interior da mata havia a fazenda de cogumelos. O ambiente era propício. Umidade, madeiras, árvores plantadas propositadamente e muito amor dela para com aquele espaço.

Ali, eu conheci a poesia, a magia e o encanto dos cogumelos. A cura, a beleza, a morte. Descobri a essência de uma pessoa que, na época, vivia de sonho e das palavras que eu lia pra ela.

E assim como a atração pelas borboletas começou ali, enveredando pelos campos correndo atrás delas o amor pelos cogumelos também. Claro, que minha mente de menina adorava os petiscos, os cremes, os molhos feitos com eles, mas o fato de um fungo transformar a vida de uma mulher que tinha o dom de trazer as crianças ao mundo me encantava.

O tempo passou e naquele lugar, eu vivi a mais bela parte de minha história. Onde as maioria dos meninos tinham medo dela pelo fato de a considerarem bruxa, eu pude absorver e receber o amor em dobro de mãe. A minha mãe mesmo, carinhosa e a fada meio bruxa, meio flor que me fazia viver em um conto de fadas.

Ela se foi… mas continua aqui. Mil dias não bastariam para eu dizer que hoje, cada palavra, cada poema de mim tem tanto dela. Mil dias não bastariam para agradecer as coisas boas que me aconteceram e ainda acontecem. As pessoas que chegam como presentes na minha vida. Alguns vieram só de passagem e se foram. Outras, mesmo indo permanecerão sempre no meu coração, na minha memória e na minha poesia.

Para alguns, eu tiro o chapéu. Outros, eu reverencio… chamo de mestres. Uns, são amigos queridos, onde choro no ombro, lamento, brinco, brigo… Outros me trazem a ternura de manhã… São sempre companhias. Alguns me trazem a paz, sejam através de palavras, imagens. Já outros, poesia, alvoroço… e assim vou.

Agradecida imensamente por tudo que construí aqui. Uma floresta de imagens e palavras onde é bem vindo quem trouxer no coração o doce aconchego do gostar.

Mariana Gouveia

Agosto é o mês das fantasias e de B.E.D.A
Participam desse projeto: Claudia LeonardiObdúlio Ortega Lunna Guedes Roseli Pedroso – Adriana Aneli – Darlene Regina

8 comentários em “Uma porta que se abre em outro lugar.

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