Pode ser em Cuiabá ou uma vila qualquer da França…

“Chaque grande chose naît d’un tout petit rien…”

Linda Sandra,

Comecei a habitar dentro das manhãs, nas pinturas que você cria e nas cartas que eu escrevia. Era como se eu pegasse em sua mão e caminhasse com você pelos seus caminhos. Ouvia as canções no idioma que adoro. Era quase um presságio de coisas que deveriam acontecer. Lá pelas tantas, acontecia em Paris. Ou em alguma vila qualquer da França. Ou nos cantos do meu quintal. Caia neve de sua janela e as cortinas dançavam com o rabo do cão. Andava pelas vielas de aldeias que nem sabia o nome. Eram tantos os detalhes que você desenhava em palavras, enquanto aqui, o sol ardia e meus cães corriam atrás dos pássaros que teimavam em ciscar a grama.

Eu morava ali, entre o mar e o rio. Nas flores do seu caminho diário… Entre os jardins suspensos e o seu. Pisava na terra pura, com cheiro de chuva nas manhãs onde o sol raiava e o orvalho parecia diamantes e o grilo misturava-se ao verde do lugar, enquanto dentro das palavras fazia as cores se misturarem na alma.

Colocava em cada envelope flores ou folhas secas… Lia poemas, folheava o livro que ensinava a rota dos meus quintais. E uma amizade nasceu dentro da arte. Era diário o entregar de flores… como se fosse um poema que ainda não nasceu. Um vento azul, um sopro de mar e essas coisas miúdas que tão bem fazem na vida da gente.

Deve encontrar cogumelos no caminho, enquanto aqui, o outono me traz eles nos cantos dos vasos de hortênsias. Vivia a primavera e pensava nas cartas coloridas que chegará aqui dias desses. Nos fusos que confundem o ritmo do tempo… enquanto você amanhece, eu ainda sou madrugada. Pensei nessa carta para te desenhar … Pois eu habito em cartas e com elas eu viajo até você.

Bisous

Mariana Gouveia

Participam dessa blogagem coletiva:
Adriana Aneli – Alê Helga – Claudia Leonardi – Darlene Regina – Lunna Guedes – Obdulio Ortega – Roseli Pedroso

10 comentários em “Pode ser em Cuiabá ou uma vila qualquer da França…

  1. Escrevi tantas cartas no passado. A espera pela resposta dava um frio gostoso no centro do estômago. Abrir o envelope, quando chegava e mergulhar os olhos e a alma na resposta, era um carinho na alma. Seu texto trouxe delicadas e boas lembranças.

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